Detalhamento das Funções e Interrelações

David Jugend

Introdução

O objetivo deste artigo é descrever a Automação Predial do ponto de vista dos subsistemas que a compõe e de sua integração com o resto do empreendimento, abordando equipamentos, sistemas, redes de dados, voz e imagem.

Pretende-se mostrar que o futuro enfocará o prédio como um sistema de alta tecnologia em si, onde todas as funções e facilidades deverão ser gerenciadas a partir de um centro de controle único, ou especializados por funções tecnológicas, otimizando o seu uso, gerando uma série de facilidades aos seus usuários, diminuindo significativamente a necessidade de deslocamento físico pelo uso de sistemas eletrônicos, aumentando sobremaneira o conforto e a eficiência interna.

A tecnologia permitirá também que a operação do empreendimento, integrada às suas ferramentas de utilização e administração, seja otimizada ao limite, em facilidade de uso, eficiência e economia de custos.

O desenvolvimento dos sistemas que hoje são empregados de forma dispersa permite que se visualize sua evolução no sentido de uma operação integrada, capaz de trazer para um plano real, em prazo curto, a visão exposta aqui.

Sistemas Prediais - o que existe

Os Empreendimentos Imobiliários vem tendo um crescimento importante de forma a atender um número cada vez maior de usuários, o que acarreta o aumento do conjunto de equipamentos destinados a atender estes locais.

Os sistemas mais importantes que existem em edifícios hoje e que operam de forma totalmente autônoma são:

  • Sistema de Automação Predial;
  • Sistema Passivos e Ativos de Voz, Dados e Imagem
  • Sistemas de Administração
  • Sistemas de Hotelaria
  • Sistemas de Estacionamento
  • Auditórios e Centros de Conferências
  • Outros, dependendo da especificidade do prédio, como por exemplo controle de Docagem de Aeronaves Aeroportos, Controle de Brinquedos em Parques Temáticos etc.

O Sistema Predial engloba vários subsistemas a saber:

  • Automação de Utilidades, ou seja, Elétrica, Hidráulica e Ar Condicionado
  • Segurança Patrimonial incluindo Controle de Acesso, Detecção e Combate a Incêndio, Circuito Fechado de Televisão, Sensoreamento Perimetral, Sistemas de Voz, Sistemas de Comunicação por Rádio etc

Além disto, existem os equipamentos operacionais do prédio, de vários portes, que podem ser listados como abaixo.

  • Sistema de Elevadores;
  • Geradores;
  • Redes de Instrumentação Elétrica Inteligente;
  • Central de Água Gelada para Ar condicionado;
  • Equipamentos diversos (cozinhas, lavanderias etc.)

Detalhamento das Funções - Interrelações

Descrição das Funções

Automação Predial

Instalações de Controle de Utilidades e Energia

O sistema de controle de Utilidades e Energia deverá operar de forma integrada com todos os demais sistemas de controle predial e de segurança. Neste sentido, deverá concentrar toda a sua parte gerencial, incluindo as Interfaces Homem-Máquina, geração de Relatórios, comunicação com o Sistema Corporativo, Software de Manutenção do Sistema e dos Equipamentos de Processo do Prédio, Treinamento no Sistema utilizando a Estação de Manutenção etc.

Assim deverá ocorrer a conexão via a Rede de Dados dos sistemas de CFTV, de Detecção e Alarme de Incêndio, Controle de Acesso e de Estacionamentos, Som, Redes de Dados, Telefonia, Administração, Hotelaria etc.

O Sistema de Utilidades e Energia será composto por uma Estação de Operação Dual, ou seja, duas Estações de Trabalho redundantes, para Interface Homem-Máquina do sistema, uma Estação de Manutenção e Treinamento e um Port que terá como função a troca de informações entre as bases de dados do sistema de Utilidades e sistema corporativo.

As facilidades do Edifício controladas pelo Sistema serão:

  • Sistema de Distribuição de Energia Elétrica;
  • Sistema de Análise de Consumo e Demanda de Energia;
  • Sistema de Geração de Energia Elétrica de Emergência (interface com Geradores);
  • Sistema de Condicionamento de Ar;
  • Sistema de Ventilação Mecânica (Ventilação, Exaustão e Pressurização);
  • Sistema de Iluminação de Áreas Comuns e Externas;
  • Sistema de Abastecimento e Armazenamento de Água Tratada;
  • Sistema de Águas Servidas;
  • Interface com o Sistema de Transporte Vertical (interface com Elevadores).

O sistema deverá possuir um software de manutenção integrado com o sistema predial e a ser implementado na Estação de Manutenção, para efetuar procedimentos de manutenção preventiva e corretiva a serem seguidos pelo pessoal operacional, atendendo os equipamentos do prédio e também do sistema.

Instalações de Detecção e Alarme de Incêndio

Critérios Operacionais

A Central de Incêndio, que controla todos os detectores e demais componentes do sistema via um conjunto de redes endereçáveis, deve estar integrada ao Sistema Central do prédio através da Rede de Dados. Deste modo, toda a operação de incêndio estará sendo efetuada pelo Operador do Centro de Controle, via um único painel de operação que é o da Estação do Sistema. Do mesmo modo, todas as informações de incêndio estarão disponíveis para que as demais funções, como ar condicionado, elevadores etc., tenham condições de interagir com as mesmas e gerar os resultados e benefícios esperados.

No caso de falha da Estação de Operação Geral, a Central de Incêndio poderá operar de forma independente, com painel alfanumérico próprio, em cristal líquido.

Critérios Técnicos

A filosofia do sistema de detecção de incêndio será baseada em redes de detectores de variação de temperatura (termovelocimétrico), nível de temperatura, fumaça, chama, botoeiras de alarme do tipo "quebre o vidro e aperte o botão" e sirenes audiovisuais. Fará também o controle das bombas de sprinklers e hidrantes, sensores de fluxo de água nos sistemas de sprinklers e hidrantes e sensores em portas corta fogo.

O Sistema de Detecção e Alarme de Incêndio a ser especificado será baseado em Central Microprocessada que acessa um conjunto de redes endereçáveis. Através destas o sistema se comunica com detectores, módulos de comando, botões de alarme , isoladores etc., também microprocessados, o que proporciona um conjunto de informações precisas de localização do alarme e defeito, bem como o tipo de atividade reportado e equipamento supervisionado. Deverá atender às Normas ABNT NBR 9441 e NFPA 72: National Fire Alarm Code.

Em especial os detectores deverão ser do tipo inteligentes, de modo a poderem distinguir claramente entre uma condição de alarme real ou uma condição falsa tal como o acúmulo de poeira no módulo sensível do sensor. Associado a estas características, serão especificados procedimentos periódicos de manutenção para os detectores.

O sistema deverá também ser totalmente configurável e programável no campo e permitir o uso acoplado de geradores de mensagens e difusão sonora.

Instalações de Sonorização

Critérios Operacionais

O Sistema de Sonorização será especificado tendo como objetivo a transmissão de mensagens sonoras com características de alto grau de inteligibilidade para usuários, público em geral e funcionários da administração nas áreas físicas abrangidas pelo Empreendimento.

O Sistema de Sonorização operará a partir de uma console de controle que será instalada no Centro de Operações, sendo os pré-amplificadores, equalizadores e amplificadores setorizados, interligados a uma malha de sonofletores distribuídos por todo o Edifício.

O Controlador Microprocessado atuante na Console se comunicará via Rede de Dados com as Estações de Operação, permitindo ao Operador do Sistema selecionar e atuar no mesmo mediante telas de processo específicas. Estes comandos devem permitir a seleção do canal de áudio ou de rádio para a transmissão da mensagem determinada pelo operador, através da interface Homem-Máquina da Estação.

A setorização do Prédio deverá ocorrer por chaveamento automático ou manual dos amplificadores destinados às várias áreas. Este chaveamento poderá ser efetuado diretamente pelo software da Estação de Operação, por solicitação do operador através de telas de processo, ou manualmente através de comandos via a mesma Estação.

O sistema deverá também possuir um emissor por Radiofrequência destinado a atingir funcionários específicos, sendo definida a solução baseada em Pagers. Será também previsto sistema de Rádio tipo HT.

Critérios Técnicos

O projeto básico a ser executado levará em conta:

  • A definição das fontes sonoras aplicadas ao conjunto geral do Prédio será manual através do operador da Central de Som para mensagens gerais, de emergência e música ambiente através de CD’s Player’s, fitas cassete etc.
  • Integração Multimídia deste sistema com os demais de controle, garantindo uma ação integrada automática de, por exemplo, divulgação automática de mensagens de alarme conforme procedimentos estabelecidos, independente do operador.
  • Controle Automático de Volume por setor atendido.

Instalações de Circuito Fechado de Televisão de Vigilância

Critérios Operacionais

O Sistema de TV de Vigilância terá como objetivo a monitoração visual de circulação das áreas do mesmo. Deverá então obedecer aos conceitos de segurança máxima para o prédio em tela.

É constituído por um conjunto de câmeras, instaladas em locais estratégicos, tais como áreas externas, áreas de acesso ao público em geral no complexo predial e em áreas restritas ao pessoal em serviço, que captarão e transmitirão as imagens destes locais para a Console Principal, onde estas serão visualizadas pelos monitores da própria Console Principal e/ou por terminais remotos.

O sistema deverá disponibilizar ainda imagem digitalizada, permitindo desta forma trafegar na Rede Principal, a qual poderá ser visualizada por estações conectadas à respectiva rede e dotadas de recursos para este fim.

O sistema deverá permitir, entre outras, as seguintes facilidades:

  • Seleção de imagens;
  • Sequenciamento de imagens;
  • Possibilidade de gravação de todas as câmeras do sistema, utilizando o recurso de Motion Detection;
  • Análise de imagens gravadas;
  • Inclusão de data/hora em imagens gravadas;
  • Panoramização e zoom ( PTZ );
  • Visualização do status/funcionalidade das câmeras através da Estação de Operação;
  • Alarme de Video Loss Detection
  • Supervisão e controle do sistema de TV Vigilância através da Estação de Operação do Sistema do Empreendimento.

O sinal de vídeo das câmeras é encaminhado à Console Principal, na Central de Segurança, integrada na Central de Controle, onde são interligadas a uma Central de Comutação microprocessada, integrada em um computador, que é o da Central de Supervisão.

O sistema deve dispor de telas com a posição das Câmeras no prédio, de forma que o clicar do mouse em uma delas faça com que sua imagem apareça em um ou em todos os monitores.

Câmeras em locais onde ocorram alarmes devem aparecer por Multimídia na tela da Estação de Operação, em uma janela aberta dentro da tela de processo que estiver rodando, acompanhada de um alarme sonoro para alertar o Operador.

A Console de Controle Principal, responsável pela visualização global, monitoração, gravação e distribuição de imagens, será operada por um microcomputador integrado ao Sistema do Prédio via a Rede de Dados, com software desenvolvido especificamente para estas funções.

Sua arquitetura deverá permitir o controle total sobre todos elementos do sistema, incluindo comandos de operações motorizadas, tais como pan-tilt, zoom, foco e íris, e ainda a atuação em funções auxiliares junto a câmeras pré-selecionadas.

Serão previstas Consoles Remotas, as quais poderão operar o sistema como um todo. A comunicação entre as mesmas dará por sinal próprio do sistema ou pela Rede de Dados.

Critérios Técnicos

Os critérios a serem empregados no projeto de CFTV serão:

  • As consoles serão dotadas de monitores a cores de alta definição, permitindo total visualização das imagens pelo operador.
  • Todas as Câmeras, móveis e fixas, são coloridas de alta definição, com elemento CCD de 1/3”, com no mínimo 460 tvl. As câmeras móveis dispõem de lentes motorizadas e auto-foco, de forma a poder focalizar com clareza a imagem objetivada. Podem atuar em 360°, possuindo retorno de informação de posição. Câmaras preto e Branco, hoje, não são utilizadas.
  • Para câmeras externas serão previstas as funções de auto-iris e controle de variações bruscas de luminosidade.
  • A movimentação das câmeras, pan, tilt e zoom, será sempre em alta velocidade e com grande precisão de controle.
  • Os sinais de vídeo e controle das câmeras, assim como dos e monitores localizados, serão devidamente processados e trafegarão por cabos coaxial e multipares.
  • Em sistemas totalmente digitais, será formada uma rede TCP/IP, com câmeras endereçáveis e totalmente integradas a esta rede. Deverão ser tomados cuidados especiais com a quantidade de câmeras por lance de rede, uma vez que a ocupação de banda por imagens é sempre muito elevada. Neste caso, será especificada digitalização de imagens e tráfego destas imagens pela rede de Dados do Prédio.
  • Integração Multimídia deste sistema com os demais de controle, garantindo uma ação integrada automática de, por exemplo, comutação automática de imagem devido a alarme de presença, de porta ou mesmo de detecção de incêndio.

Critérios de Implantação

Para a implantação do sistema de CFTV, deverão ser utilizados os seguintes critérios:

  • O princípio básico aplicado é o da segurança patrimonial do prédio, de seus usuários e dos equipamentos operacionais;
  • A localização das câmeras será estudada cuidadosamente, dando prioridade para câmeras fixas, focalizando sempre os acessos de pessoas, veículos e outros;
  • Onde necessário, serão empregadas câmeras com PTZ, destinadas a dar ao sistema e ao operador condições de seguimento de determinados alvos.
  • A comunicação da central com as câmeras em campo será direcionada para rede de alta velocidade, portando imagens e comandos. Preferencialmente, via a Rede de Dados do prédio.

Instalações de Controle de Acesso e Detecção de Intrusão

Critérios Operacionais

O Sistema de Controle de Acesso tem como objetivo prover segurança operacional ao empreendimento impedindo o acesso de pessoas não autorizadas às áreas restritas e monitorando e controlando o acesso das pessoas autorizadas às mesmas.

Para tanto deverá considerar o acesso de pessoas e de veículos, categorizando-as e controlando-as da forma mais segura possível.

O acesso de pessoas ocorre de forma controlada em setores do prédio onde não é permitida a entrada dos usuários; nestes setores somente entram funcionários.

Já a área para veículos deverá atender tanto veículos de usuários como de funcionários.

O sistema de acesso deverá operar de forma integrada com o de Segurança e Controle Predial, bem como com o sistema de Controle Administrativo.

Critérios Técnicos

Os critérios a serem empregados no projeto de Controle de Acesso serão:

  • O sistema a ser especificado deverá se basear no conceito de controle distribuído, garantindo a total confiabilidade de operação do sistema e equipamentos atendidos, mesmo em caso de eventual degradação e/ou defeito dos equipamentos que o compõem.
  • A seletividade da prioridade pelo acesso será efetuada na definição da circulação operacional. Neste contexto, será determinada a utilização de níveis de segurança codificados, em função da responsabilidade no ambiente controlado. Deste modo, setores de maior segurança terão nível de proteção mais elevado.
  • Em locais de maior segurança, serão previstas Leitoras de Palma da Mão, Impressão Digital, Íris ou outras de segurança adequada;
  • O controle de estacionamento será preferencialmente do tipo não atendido, com postos de cobrança ou validação internos e emissão local de bilhetes magnetizados.
  • Integração deste sistema com os demais de controle do Prédio, garantindo uma ação integrada de, por exemplo, comutação automática de imagem quando da tentativa de uso indevido de cartões de acesso em locais não permitidos, alarme de presença, de porta ou mesmo de detecção de incêndio;
  • Operação Multiusuário e em tempo real.

Critérios de Implantação

A complexidade dos empreendimentos focados neste artigo e das necessidades de controle de acesso devem exigir um trabalho detalhado de levantamento e planejamento, para se chegar na melhor solução de configuração que atenda integralmente as necessidades de segurança do empreendimento de acordo com suas especificações. Devem ser estabelecidos níveis de prioridades para áreas diferenciadas, como por exemplo acesso simples de funcionários a acessos a áreas classificadas, onde a seletividade deve ser bem maior.

  • O planejamento do acesso deverá enfocar os locais por onde este se processa e o atendimento diferenciado a ser dado a cada tipo de acesso, meio de acesso e usuário;
  • Deverão ser previstos tipos diferentes de equipamentos dependendo dos locais cujo acesso deverá ser controlado;
  • Deverá haver a previsão de níveis de senhas para seleção de acesso;
  • O sistema deverá ser integrado em rede digital, comunicando-se de forma integrada com o sistema do Prédio via Rede de Dados.

Redes de Dados

Critérios Operacionais

A implantação de um sistema de Cabeamento Estruturado no Empreendimento é a solução atual para a integração de voz, dados e imagem, interligando física e logicamente os vários setores funcionais, de modo a possibilitar a unificação dos dados e o seu uso por todos os setores, minimizando e mesmo terminando com a duplicidade de bancos de dados e de funções em execução.

A integração em uma rede de dados, voz e imagem todos os serviços de um empreendimento viabiliza a concentração das informações e dos centros de decisão e ao mesmo tempo, possibilita o acesso a estas informações de forma totalmente distribuída, tanto lógica quanto fisicamente.

Deve também ser considerado que a integração de setores externos ao empreendimento passa pela modernização de conceitos de implementação deste, de forma a permitir que, de um lado exista um tráfego local de informações coerente com o volume de negócios da organização, representados pelo conceito da Intranet; e por outro, a possibilidade de acessos a múltiplos setores externos, sem uma degradação da capacidade de processamento e transporte de informação. Se insere neste contexto, com grande força, o acesso à Internet.

O planejamento correto e no tempo certo permite que, ao lado do projeto propriamente dito, se tomem decisões no sentido de se definir um ou mais provedores de serviços de rede que de fato venham a corresponder às necessidades apontadas levantadas para prédio. Estes provedores podem ser escolhido dentro das condições adequadas de custo/benefício/desempenho, enquanto se executa o projeto e mesmo, o empreendimento.

O sistema como um todo, quando implantado, permitirá o acesso de todos a todas as informações, pelo uso do que há de mais moderno em redes de dados locais e de abrangência geográfica compatível com não só com o Edifício mas com a comunicação com entidades externas, equipamentos de acesso à rede para a correta interface das pessoas com o sistema, e dispositivos de saída que permitam a elaboração de relatórios, e documentos gráficos etc.

A evolução tecnológica que ocorre no setor de cabeamento estruturado, com normas claras e equipamentos com maior capacidade e velocidade vem permitindo que organizações de porte, em prédios únicos ou multi-prédios, possam implementar este tipo de estrutura. Outro ponto a ser ressaltado é que esta evolução tem feito crescer o potencial dos meios, em capacidade e facilidade, sem acarretar incremento significativo de preços.

Neste contexto, devem ser consideradas as hoje denominadas redese sem fio ou wireless, também atendendo a padrões e operando como extensões das redes wired. Assim, os equipamentos como notebooks, palm tops e outros, se dotados dos módulos de interface de rede adequados, podem ter acesso a todas as facilidades do sistema de rede do empreendimento de qualquer lugar dentro do alcance projetado de rádio frequência, como se estivessem conectados fisicamente a este.

Este foco explora ao máximo as possibilidades deste tipo de solução, provendo o empreendimento de uma solução de custo/benefício adequada para a Distribuição de Voz, além de Redes de Dados, a própria instalação do Sistema de Cabeamento Predial com seus subsistemas (Som, CFTV, Segurança Patrimonial, etc.) e deixando o complexo predial pronto para os novos saltos tecnológicos das telecomunicações, no que se refere a velocidade de transmissão de dados, teleconferências, etc.

Critérios Técnicos

O projeto como um todo será baseado nos padrões e normas atualmente vigentes para os antes denominados OSI (Open Systems Interconnection), hoje chamados OSE (Open Systems Environment), que abrangem desde os padrões “de facto” para as sete camadas do protocolo OSI como Sistemas Operacionais, Interface Homem / Máquina e requisitos para Bancos de Dados, hoje relacionais e no futuro orientados a objeto.

Estes conceitos, bem como os padrões hoje existentes de cabeamento estruturado que abrangem instalações de redes de dados, voz e imagem em condições excepcionais de sistematização, modularidade e objetividade, devem garantir por princípio um projeto da melhor qualidade, modular, moderno e sobretudo com condições de manutenção da sua estrutura básica, e possibilitando a evolução dos equipamentos, que hoje atinge velocidades muito grandes.

O sistema de cabeamento deverá atender as Normas Internacionais do setor, nominadas EIA/TIA 568. 569, 570. Para os sistemas Wireless, popularmente conhecidos como Wi Fi, as normas a serem atendidas são as IEEE 802.11 e correlatas.

Critérios de Implantação

O cabeamento estruturado será realizado utilizando no mínimo a Categoria 6. Em cada Estação de Trabalho, será previsto no mínimo um ponto de voz e um ponto de dados, conforme as Normas EIA/TIA 568. 569, 570.

De forma a atender o determinado acima, será projetada uma malha de cabos que promova uma densidade linear de pontos por metro quadrado, de forma que o raio de abrangência de cada ponto fique situado por volta de 2 m., nos setores de escritório. Esta é uma densidade média padrão de projeto, que deve ser estudada para cada caso, de forma a atender às necessidades do Empreendimento utilizando um número racional de pontos. Este número deverá prever, sempre, futuras expansões do sistema.

Em locais diferenciados, os pontos de rede deverão atender as necessidades estratégicas das funções a serem executadas, garantindo sempre a flexibilidade de lay-out que é necessária quando se efetua a mudança de um setor ou pessoas de uma localização para outra.

Com a utilização de conexões em Categoria 6, podem ser atingidas taxas de transferência de sinais de até 250 Mbps, cobrindo raios de até 400 m. em termos de distância, com cabos do tipo UTP (Unshielded Twisted Pair). Nas interligações com fibra ótica, as distâncias atingidas podem chegar a 2 km.

O acesso externo ocorre por um setor denominado POP (Point of Presence), que é até onde chegam as concessionárias de voz, dados e imagem. Deste local, os cabos com as informações vão ao MTR – Main telecommunications Room, onde são instaladas a Central de Telefonia e a Central de Dados. Do MTR sai o denominado cabeamento vertical, levando o backbone vertical aos vários pavimentos, a locais denominados ITR’s – Intermediate Telecommunications Rooms. Nestes, são instalados os racks com painéis de conexões – patch panels e equipamentos ativos de rede (switches etc), que recebem o cabeamento vertical, o cabeamento horizontal de todos os pontos de voz e dados dos andares e permitem a configuração das redes e dos ramais telefônicos através de cabos de interconexão, ou jumper cables.

Assim, tanto nos ITR’s como no MTR é possível configurar um endereço de rede ou ramal telefônico de forma que, se o funcionário domo deste endereço mudar de andar, a transferência do endereço e do ramal telefônico seja imediato e sem interferência física no cabeamento.

Voz

Critérios Operacionais

O Sistema de Voz deverá ser composto por uma Central Digital PABX-CPA a qual, além das facilidades usuais permite a operação acoplada a uma central de comunicação microcelular, e à de operação de unidade remota integrada ao sistema PABX principal ou de forma independente.

O acesso aos ramais físicos, hoje, está sendo projeta do e intensivamente implantado utilizando a tecnologia denominada Voz sobre IP ou VoIP, que transforma o telefone em um elemento de rede com endereço IP, permitindo que toda a telefonia seja implementada e operada via uma rede de dados, que até pode ser uma das Vlans do empreendimento.

O objetivo é a implantação de um sistema celular privado acoplado ao PABX principal, de forma a prover o Prédio de um conjunto de ramais portáteis, objetivando alcançar a pessoa e não somente o telefone.

Quando a pessoa procurada não está próxima do seu telefone, não se atinge o objetivo de se comunicar com o indivíduo.

Originam-se daí, recados, consultas, transferências e redirecionamentos da chamada que nem sempre atingem o objetivo de quem chama. Isto causa frustrações, negócios adiados ou suspensos e tentativas posteriores, geradoras de tráfego e custos adicionais.

A implantação da telefonia sem fio, ou celular privada permitirá implementar conceito "Grau de mobilidade das pessoas” no Edifício.

A conexão com a Concessionária será elaborada a partir de enlaces padrão PCM E1 (G.703/G.704) de 2 Mbps, a serem fornecidos através de Backbone em fibra óptica na entrada do Prédio.

O mesmo padrão e o mesmo meio de comunicação será utilizado para a interligação entre os estágios principal e remoto da Central de Telefonia.

A nível interno, serão previstas interconexões com a sistemas de comunicação avançada voltados a automação de escritórios, tais como caixas postais e interfaces digitais dedicadas para comunicação de dados.

A central deverá utilizar também um sistema de gerenciamento, bilhetagem e tarifação, destinado a realizar todas as funções a partir do PABX principal.

Critérios Técnicos

O sistema deverá atender aos seguintes critérios:

  • O Sistema de Telefonia será baseado em uma Central Digital PABX-CPA, com todas as facilidades disponíveis. Poderá também ser uma Central totalmente voltada para a tecnologia VoIP.
  • O sistema deverá ser dimensionado de acordo com as necessidades determinadas de Tráfego Telefônico do Empreendimento.
  • O cabeamento do sistema telefônico, integrado à pré-cablagem descrita em C.2.2.3, deverá ser planejado tanto vertical como horizontalmente.
  • O padrão de acesso à Concessionária, bem como para a interligação entre os estágios principal e remoto da Central, deverá ser o PCM E1 (G.703/G.704) de 2 Mbps/30 canais cada, com Backbone de fibra óptica.
  • A Central deverá possuir interface digital para a conexão com a Central de Telefonia Celular.
  • Deverá ser capaz de integrar digitalmente diversos serviços, utilizando conexão digital com protocolo RDSI.
  • A Central de Rádio celular deverá conter interfaces seriais para conexão de computadores para as funções de gerenciamento, programação, estatísticas e localização de eventuais falhas; esta conexão poderá ser local ou via Intranet, para que estas mesmas funções possam ser realizadas remotamente.
  • A área de cobertura do Sistema de Telefonia Celular Privado será definida em função da especificação precisa da arquitetura do Prédio.

Integração e Padrões

A adoção do padrão de comunicações para Edifícios, envolvendo tanto sistemas prediais como a comunicação entre estes e os demais equipamentos que integram o Empreendimento, leva em conta a evolução dos sistemas prediais na direção de padrões, o andamento positivo da definição e regulamentação destes padrões seja de direito (por associações) seja de fato (pelo mercado, seja de fornecedores prediais seja de fornecedores de equipamentos de processo).

Níveis de Rede de Dados

Geral

O Sistema de Supervisão e Controle Predial definido para empreendimentos de última geração é concebido com três níveis hierárquicos de rede: Nível Gerencial, Nível de Controle e Nível de Campo (ver diagrama geral em blocos na Figura 1).

O Nível Gerencial corresponde à Rede Interna do empreendimento, a ser implantada pela no prédio, e tem a finalidade de disponibilizar ao Sistema de Automação e Segurança o acesso a meios como Internet, VPN’s etc. Poderá dar acesso também a Estações de Trabalho específicas, como, por exemplo, dos Gerentes de Facilities e de Segurança, às informações referentes à operação, de acordo com autorizações de acesso personalizadas. Dependendo do porte do prédio, poderá estar dividida, por exemplo, em três setores, um para o CCO de um Shopping Center, um para o CCO de um Centro de Eventos e um terceiro para o Centro de Manutenção e Engenharia.

Ao setor da rede do Centro de Eventos estão conectadas as duas Estações de Operação. Estas Estações proporcionam a Interface Homem-Máquina do Sistema, juntamente com as dos demais centros de operação.

Ao setor da rede do Shopping estão conectadas as duas Estações de Operação para o mesmo.

Ao CCO de Engenharia e de Manutenção conectadas as Estações de Manutenção e Treinamento/Engenharia, bem como o Servidor Geral do Sistema de Automação e Segurança. Este Servidor faz a função de Servidor WEB do sistema geral, de forma que toda a operação do sistema possa ocorrer também pela Intranet do empreendimento e até pela Internet.

Ao Nível Gerencial estão também integradas a Central de Controle de Acesso, Central de CFTV, Central de Detecção de Incêndio e a Central de Sonorização, todas integradas ao Sistema como um todo utilizando Fast Ethernet TCP/IP.

O Nível de Controle é formado por Redes também Fast-Ethernet TCP/IP e integra os três CCO´s às Estações de Controle (EC’s), destinadas à supervisão e controle de utilidades. Estas fazem a aquisição dos dados do processo, executam os Programas Aplicativos e enviam os comandos aos atuadores e interfaces de campo. A partir destas Estações, partem as Redes de Campo, que são redes para conexão de Estações Remotas, Instrumentação Inteligente e Interfaces Homem-máquina Locais.

Nível Gerencial

O Nível Gerencial conectará o sistema à rede do Espaço Estação, permitindo às estações externas o acesso ao sistema predial.

Estará neste nível a Interface Homem-máquina do Sistema de Automação, recebendo e disponibilizando para os CCO´s de Operação os dados de processo da Rede de Controle, utilizando o método de Report por Exceção. As Estações de Operação serão Redundantes em cada CCO, de forma a permitir que, se uma das Estações ficar fora de trabalho, a segunda assuma esta função, de modo que a Operação do prédio não seja interrompida.

O Servidor WEB será destinado a viabilizar a operação do sistema com interface gráfica através de Internet Browsers. O Software Supervisório deverá possuir drives de comunicação, de forma que seja garantida a integração da sua base de dados com as telas gráficas em HTML, ASP, PHP, etc. que serão disponibilizadas no Servidor WEB. Ambas as Estações de Operação atuarão no sistema através das Telas do Software Supervisório. As outras Estações atuarão através das páginas HTML. Para tanto, o empreendimento irá através de sua rede, providenciar um endereço IP público para o Servidor WEB. A comunicação entre as aplicações WEB no Servidor, Estações de Operação e Rede deverão ocorrer utilizando o protocolo.

Para garantir a conectividade e expansibilidade do sistema, os equipamentos que compõem o Nível de Gerencial deverão apresentar aderência a algumas normas, tais como as relacionadas a seguir:

  • Plataforma Windows 2000 Server ou superior, com Internet Information Server instalado;
  • Rede (camadas 1 a 4 do modelo OSI)Fast-Ethernet TCP/IP;
  • Aplicação (camadas 5 a 7 do modelo OSI) Rede Microsoft.

Deve ser previsto um sistema de níveis de senha, o qual permitirá a setores separados acesso ao sistema para a execução das seguintes funções:

Engenharia:

  • Permite alterar qualquer programa e telas;

Operação:

  • Permite alterar todos os parâmetros do Sistema, tais como prioridades do Controle de Demanda, horários de partida e parada de máquinas;

Monitoramento:

  • Permite apenas visualização das Telas;

Acesso via Internet

Conexão com Sistema Administrativo

É prevista a interface entre o Sistema Administrativo do prédio e o Sistema de Automação, que irá ocorrer através da Rede Gerencial.

Treinamento

Esta função deverá ser utilizada para o treinamento de novos Operadores, podendo simular qualquer função do Sistema, deste as de Operação até as de Manutenção.

Manutenção

Este Software deverá possibilitar o registro histórico da manutenção dos equipamentos e revisões dos desenhos de cada um dos Sistemas que compõem a Estação. Deverá gerar ordens de serviço para manutenção corretiva e preventiva de acordo com eventos pré-programados, ou horários, ou alarmes. Será através desta Estação que deverão ser inseridos os dados cuja aquisição seja realizada manualmente. Esta estação deverá executar um Software de controle e monitoramento do desempenho dos processos.

Nível de Controle

Este nível deverá concentrar o Controle do Sistema de Automação, efetuando a comunicação com o nível de campo.

Os equipamentos que compõem o Nível de Controle são Controladores Microprocessados Programáveis ou Estações Controladoras (EC's). Estes equipamentos se constituem em Controladoras de Processo, que de um lado fazem a aquisição das Entradas e Saídas e coordenam as Redes de Campo e os equipamentos alocados a estas e de outro, se comunicam com a Rede de Controle, tendo acesso às demais Controladoras e às Estações de Operação.

Para garantir a conectividade e expansibilidade, os equipamentos que compõem o Nível de Controle deverão apresentar aderência a algumas normas, tais como as relacionadas a seguir:

  • Rede (camadas 1 a 4) Fast-Ethernet TCP/IP;
  • Aplicação (camadas 5 a 7) BacNet, LonWorks, Interbus, Profibus, Fieldbus, ControlNet, DeviceNet ou Modibus.

Em relação ao Controle, trocam informações com as demais Controladoras objetivando integrar os processos correlatos, trocar parâmetros e efetuar intertravamentos quando necessário. Trocam também informações com as Estações de Operação, visando atualizar os bancos de dados destas e receber os dados referentes a comandos, parâmetros e atualizações de programas aplicativos.

Nível de Campo

O Nível de Campo é composto pela Rede de Campo que é implementada a partir das EC’s. Nesta Rede conectam-se as interfaces homem-máquina locais, toda a instrumentação inteligente e a quantidade necessária de Sub-Controladoras, destinadas a controles específicos (quadros elétricos, de ar condicionado, de bombas etc), conectadas a dispositivos que fazem a aquisição de dados do campo, podem fazer processamento local e encaminham estas informações para as EC’s.

Estas redes seguem hoje padrões de Redes Abertas disponíveis no mercado adequadas a cada tipo de aplicação, conforme abaixo:

  • Rede (camadas 1 a 4) Fast-Ethernet TCP/IP;
  • Aplicação (camadas 5 a 7) Lonworks, Interbus, Profibus, Fieldbus, ControlNet, DeviceNet ou Modibus.

Em casos específicos, para facilitar a conexão de elementos unitários à rede, poderão ser utilizados Bridges Fast-Ethernet TCP/IP « EIA 422, 485 ou RS 232C.

Protocolos proprietários vem sendo gradativamente abandonados, em todos os níveis.

Operação Integrada Geral

A operação da grande maioria dos prédios operacionais modernos está sofrendo um aumento muito grande de solicitações de facilidades, tanto em novos empreendimentos como nos já existentes. Até recentemente, a modernização dos mesmos era efetuada somente ao nível da infra-estrutura.

A evolução destas instalações, tanto as derivadas de novos projetos como aquelas resultantes de retrofit de instalações existentes, determina o uso de novas soluções, de forma que o ambiente operacional do complexo predial tenha condições de enfrentar as novas demandas.

Uma das principais necessidades, hoje, é a de aumentar a capacidade de prestação de serviços e de aumento de conforto e de segurança dos usuários, viabilizando o atendimento da demanda crescente e diminuindo os custos de condomínio.

As soluções para essas necessidades irão ocorrer através da implementação de sistemas tecnologicamente atualizados, em um contexto cada vez mais integrado, com a interação entre as funções contribuindo decisivamente para uma maior eficiência operacional, de segurança e de otimização de custos.

O objetivo é então permitir que o operador gerencie todo o prédio de uma Central de Comando, mantendo porém a execução de tarefas localizadas de forma distribuída, setorizada. Os sistemas automatizados destinados a controlar a parte de facilidades, bem como a parte de segurança física também estarão integrados ao Centro. Isto permitirá respostas rápidas, automáticas pelo sistema ou manuais pelo Operador, aos eventos referentes os sistemas do prédio ou de segurança, que ameaçam o prédio ou seus usuários.

Integrando a gestão técnica e de segurança à atividade fim do complexo, obter-se-á um sistema de ação global, integrado, com capacidade de controlar o mesmo em seu todo, de forma que possam ser atingidos os objetivos preconizados de eficiência operacional, de custos e de segurança.

O diagrama contido na figura 1 mostra o empreendimento e o conjunto de sistemas abordado no capítulo anterior. É importante colocar o conceito, também, de empreendimentos multi-uso, como por exemplo aqueles que contemplam Shopping Center, Hotel e Escritórios, Hospitais com Shopping Centers e Flats etc. Nestes casos, a interação entre funções diferentes tenderá a se tornar cada vez mais comum, como se poderá verificar nas descrições que seguem.

Conclusão

Quanto mais se olham os prédios que hoje se projetam, mais se verifica que os mesmos, para operarem, estão sendo dotados, cada vez mais, de sistemas com nível crescente de tecnologia. E nem poderia ser diferente, uma vez que a tecnologia aí está, direcionada para o uso massivo e para a obtenção de resultados de maior eficiência operacional, maior segurança, conforto e otimização intensiva de custos.

Como se pode observar, se se efetuar a comparação dos complexos prediais atuais com empreendimentos de poucos anos atrás, verifica-se que os últimos contém ou conterão um conjunto respeitável de funções, com tecnologias cada vez mais evoluídas. Está se tornando imperativo repensar os conceitos de projeto, de uma forma global, objetivando viabilizar o gerenciamento correto deste conjunto de forma a possibilitar seu uso otimizado, eficiente e integrado.

O desafio é, então, para os projetistas destes empreendimentos, definir o que usar, ver à frente pelo menos dois a três anos, que é o tempo de maturação e construção, de forma a garantir que, na época de uso do prédio, este esteja adequado aos usuários que o ocuparão.

Também, prever sempre a instalação de equipamentos e sistemas que poderão proporcionar as facilidades de uso, segurança interna e acesso ao mundo exterior, de maneira que os usuários do empreendimento possam de fato, usufruir do conjunto de facilidades que este estará então proporcionando.

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