Artigo escrito pelo engenheiro David Jugend e publicado na revista da Intech

Os sistemas que hoje equipam os grandes empreendimentos imobiliários como arenas esportivas, shopping centers, grandes complexos comerciais, hospitais, centros de eventos, residenciais, e os denominados multiempreendimentos que incorporam vários destes prédios com funções específicas vêm passando por uma evolução muito grande dentro de suas características específicas, mas, também, no caminho da comunicação padronizada entre seus elementos de campo e suas centrais de controle.

Hoje, quando olhamos para os projetos, vemos redes que conhecemos como de computadores, mas que incorporam praticamente todos os elementos dos sistemas aos quais nos estamos referindo, como câmeras de CFTV, telefones, amplificadores etc transformados, cada um deles, em um computador de fato e ligados a estas redes através de seus endereços IP.

Assim, o objetivo deste artigo é contar um pouco como a história dos sistemas prediais (usa-se muito o termo automação predial, mas esta é somente uma das funções entre as hoje dezenas aplicadas a empreendimentos imobiliários) como eram, como era difícil fazer os projetos e como são hoje e como vão ser no futuro, praticamente imediato, e como os projetos tanto conceituais como de infraestrutura já estão e ainda vão ficar muito mais fáceis, lógicos e objetivos para o setor.

Histórico – Jurassic Park

Até alguns anos atrás, e estes alguns anos parecem nos remeter ao período jurássico, os sistemas empregados em empreendimentos imobiliários eram de um modo geral analógicos, com comunicação via protocolos seriais, proprietários e do arco da velha. Melhor que generalizar, é muito mais fácil listar os sistemas e analisar as suas características da época.

Automação Predial

Lembrando aos leitores da Intech, Sistemas de Automação Predial via de regra são sistemas próprios das empresas que militam na área, como Johnson Controls, Honeywell, Andover etc. Estes sistemas controlam em princípio as funções dos sistemas elétricos, hidráulicos e de ar condicionado dos prédios.

Estes sistemas têm softwares supervisórios próprios, hardware também próprio e protocolos de comunicação, na época em que estamos falando, proprietários. A arquitetura destes sistemas era sempre baseada em Controladoras de Rede a partir das quais saiam redes secundárias, próprias, para atender subcontroladoras.

Estas subcontroladoras na verdade são controladores programáveis de pequeno porte, normalmente personalizados para as funções prediais mais comuns como controles de equipamentos de ar condicionado, quadros de iluminação e de bombas etc, devendo ser somente parametrizados e não programados.

A rede que interligava as Controladoras de Rede era também própria, mas já há alguns anos, alguns dos fornecedores destes sistemas evoluíram as mesmas para protocolos Ethernet TCP/IP, viabilizando uma integração dos sistemas de automação com os demais sistemas dos prédios.

Também as redes de campo dos fornecedores de maior e mesmo de porte médio passaram a adotar alguns padrões, sempre da área predial, como o BacNET (Building Automation Control Network), que teve sua origem na associação americana de fabricantes de sistemas de ar condicionado (ASHRAE - American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers). A automação predial em seus primórdios, era utilizada somente nos sistemas de ar condicionado, daí o interesse e o fato deste ter sido o berço do BacNET.

Em realidade, na automação predial, o que mais se aproxima do que se faz em automação industrial é a automação do ar condicionado. Existem os set points de temperatura para os ambientes, que são controlados com malhas PI e PID, existem os circuitos primários e secundários oriundos das Centrais de Água Gelada – CAG’s, o primeiro com vazão constante para a passagem pelos Chillers ou resfriadores da água encaminhada ao sistema, e o segundo com um volume variável de água dependendo do número de equipamentos de resfriamento dos ambientes (fancoils) em ação em um determinado instante, e das temperaturas ou set points escolhidos em cada local. Há que compatibilizar a água que sai do circuito primário e volta a ele em vazão constante, com a que gira no prédio em vazão variável. Então, mais malhas de controle, variadores de frequência nas bombas secundárias, e o uso de um circuito hidráulico de bypass entre a saída e o retorno do circuito primário, com válvula de três vias controlada pela vazão e pressão do circuito secundário.

Há o circuito de condensação, que gira a água de mesmo nome que retira o calor da água de refrigeração que passa pelo Chiller de forma que a mesma, ao ser encaminhada ao prédio volte com a temperatura definida em projeto. Este circuito utiliza as conhecidas torres de refrigeração , onde a água entra pelo topo e é recolhida mais fria na sua parte inferior, de forma a ser reinserida no Chiller e absorver de novo o calor gerado pelo prédio. Há sistemas com tanques de gelo ou de água gelada, utilizados para substituir os Chillers, grandes consumidores de energia, no horário de ponta e muito mais.

Então, por tudo isto, a automação predial começou com os sistemas de ar condicionado. Hoje, há muito mais, e esta disciplina é somente uma parte do processo como um todo.

Circuito Fechado de Televisão - CFTV

Quando se olham os sistemas de CFTV de poucos anos atrás, a vontade efetiva é de chorar. As câmeras eram todas analógicas, de modo que era necessário um cabo coaxial por câmera, além de uma infraestrutura de alimentação para todas elas. Estes cabos eram todos encaminhados para uma sala de segurança, alimentando matrizes de CFTV comandadas por teclado e joystick. Para as câmeras móveis, ainda era necessário um cabo de comando, para possibilitar a movimentação horizontal (pan) e vertical (tilt), além do zoom da lente. Daí, para quem não sabe, vem a denominação de câmeras PTZ.

Imaginem a quantidade e o diâmetro do conjunto dos cabos coaxiais de um sistema de 150 câmeras chegando na sala de segurança. Pois é. E as câmeras, que especificávamos com 440 linhas e vinham os fornecedores convencer os clientes que era muito, ficava caro, que podiam oferecer 330 linhas. E muitas vezes conseguiam. Daí, quando passamos a especificar 540 linhas (vejam, equivale a 0,5 Mpixels), vocês podem imaginar a choradeira.

O resultado eram sistemas pesados, com infraestrutura absurdamente cara, cabeamento extenso e uma qualidade de imagem que deixava muito a desejar. Sem contar projetos com câmeras em preto e branco. Na hora de se ter que efetuar um reconhecimento facial, por exemplo, dá para imaginar a dificuldade.

Ainda, com imagens analógicas, não havia a possibilidade de processamento das mesmas, mas somente a gravação, que na época já havia evoluído dos gravadores vídeo cassete time lapse para sistemas hard drive, mas em equipamentos denominados DVR, bem melhores que os anteriores mas ainda limitados, somente com capacidade de gravação e localização de imagem.

Controle de Acesso

Conceitualmente, os sistemas de controle de acesso mudaram pouco ao longo do tempo. Para entender, estes sistemas de uma forma simples eram implementados com Controladoras de Porta, específicas para a função. Cada controladora pode receber uma ou duas leitoras de cartão, um ou dois sensores de porta e comandar uma ou duas fechaduras magnéticas, podendo desta forma efetuar o controle de uma porta simples ou dupla. Havia outros tipos de controladoras nestes sistemas, para funções específicas, porém as principais eram as de porta, para uma, duas ou até quatro portas.

Normalmente as controladoras podiam receber leitoras de vários fabricantes, que têm um padrão de comunicação leitora x controladora padronizado. Ainda as leitoras podem ser para ler diferentes tipos de cartões, como código de barras, de proximidade (Mi Fare ou I Class, para mencionar os mais conhecidos), utilizando a mesma controladora.

Já a comunicação das controladoras seja com controladoras de rede, no mesmo estilo do sistema predial, seja diretamente com uma central de controle de acesso, era efetuada também por uma rede proprietária geralmente serial e de baixa velocidade, por exemplo, 9600 bps. De modo que o tempo de consulta a banco de dados, quando centralizado (para confirmar a liberação do acesso de cada cartão) em sistemas de média utilização acabava tornando o tempo de liberação de uma catraca, por exemplo, muito longo. Mas, já nesta época, as controladoras de porta passaram a ter capacidade de memória para manter localmente um banco de dados de usuários mais limitado, diminuindo este tempo utilizando a consulta local.

Melhorou mas não resolveu. Sistemas biométricos, por exemplo, com estas velocidades “fantásticas”, ficavam seriamente comprometidos.

Sonorização de Segurança (Public Adress)

Lembrar os sistemas de sonorização é lembrar as Salas de Controle de Automação e Segurança, ou só de Segurança, com os Racks de Sonorização cheios de Amplificadores, um para cada setor do empreendimento, e cada um alimentando uma linha de 70 V para os sonofletores daquele setor. Ou seja, uma enorme distribuição de alto falantes, totalmente originada em uma única sala. Nesta sala ficavam as fontes sonoras, os pré-amplificadores e demais equipamentos da Central de Som. Tudo analógico, desde a central até os sonofletores. Detecção e Alarme de Incêndio Estes sistemas, dentre os citados até aqui, são os únicos que tem normas, americanas e europeias, e brasileiras. A norma brasileira era a NBR 9441 e mudou para NBR 17240. Em uma das coisas incríveis que soem acontecer neste País, o pessoal da ABNT conseguiu mudar a norma para muito pior. O que já não era muito preciso e detalhado, ficou muito mais impreciso e genérico. Passou a valer muito o critério do projetista. Em um sistema que envolve custos elevados, vocês podem imaginar o nível de conflito que esta história tem gerado para os projetos.

De todo o modo, os conceitos destes sistemas em si não mudaram muito. Os detectores são de fumaça, térmicos, termovelocimétricos, sendo que existem detectores de feixe (beam detectors), com transmissor x receptor para detectar fumaça em áreas abertas ou com pé direito acima de 8 metros. Estes detectores, bem como os acionadores manuais e sirenes, ficavam em laços fechados podendo curto-circuitar estes laços se um alarme fosse detectado e assim indicar ao sistema a presença de fumaça, fogo, ou acionamento de um dos acionadores por alguém.

Este laço cobria uma determinada área, e indicava ao Operador de Segurança que havia um alarme nesta área. Ele tinha então que enviar alguém ao local para olhar onde exatamente era o aviso de sinistro.

Já nesta época, os sistemas evoluíram para elementos endereçáveis ou seja, cada elemento dos citados acima possuía um endereço, e o laço (que continuou e continua até hoje a ser assim denominado) virou de fato uma rede de dados, com um protocolo proprietário de cada fabricante, de modo que, claro, os detectores não pudessem ser intercambiáveis.

Estes laços, como os anteriores não endereçáveis, eram conectados a uma Central de Detecção e Alarme de Incêndio, que por norma tinha que ser independente, com bateria própria e totalmente autônoma no que diz respeito a programação e geração de comandos. Em sistemas integrados, outras centrais de outros sistemas somente poderiam ler as informações de detecção. Jamais gerar comandos para a mesma, via canais de comunicação.

Estas centrais já eram microprocessadas e com canais de comunicação que, em alguns casos, atendiam Ethernet TCP/IP para comunicação com outros sistemas. Já Centrais de Detecção interligadas, formando sistemas mais amplos, tinham e tem até hoje, por norma, que se comunicar via uma rede própria, independente da rede da integração.

Para finalizar, existem sistemas de detecção que denominamos de primeira linha, e existem os de segunda linha. Os primeiros devem ser certificados por órgãos americanos ou europeus, respectivamente UL (Underwriters Laboratories) / FM (FM Global – Factory Mutual) e CE/FM (Comunidade Europeia). Os de segunda linha não têm esta certificação, de modo que sua confiabilidade não é assegurada para a função de detecção, que é de alta segurança para os empreendimentos, implicando em não aprovação nesta situação.

Cabeamento Estruturado

Nos idos de 1996 (no Brasil) começaram efetivamente os projetos de cabeamento estruturado em nosso País, atendendo tanto voz (a antiga telefonia) como as redes de dados para computadores. Foram dois os grandes indutores deste tipo de projeto: o avanço enorme da quantidade de computadores em uso, devido à massificação dos microcomputadores e sua concentração em espaços cada vez menores, e o uso do cabo UTP, tanto para voz como para dados, permitindo que o mesmo cabo fosse utilizado para as duas mídias. Neste contexto, ou se organizavam estas instalações de uma forma adequada ou se mantinham as instalações como a da telefonia tradicional, onde cada vez que havia a necessidade de mudar um aparelho telefônico de lugar ou de criar mais um ponto, era um Deus nos acuda, de trocar tubulação, quebrar paredes e forros etc.

Nesta área foram criadas uma série de normas, EIA/TIA 568, EIA/TIA 569 e outras, primeiramente nos Estados Unidos e depois pela ABNT, com o objetivo de organizar adequadamente estes projetos, permitindo que os mesmos pudessem ser implementados de tal forma que as instalações decorrentes pudessem ser certificadas. Esta certificação nada mais é do que a garantia de que o sistema opera nas velocidades corretas de comunicação definidas para o mesmo. E a certificação dá condições de obter dos fabricantes de cabeamento passivo garantia para as instalações entre 20 e 25 anos.

De modo que na época que estamos focando, os projetos de cabeamento estruturado já nasceram sob a égide da modernidade. O que ocorria nesta época é que os insumos ainda eram de baixa velocidade, embora para quem como nós que somente implementava redes de até 10 Mbps em cabos coaxiais blindados, o aparecimento de um cabo UTP (Unshielded Twisted Pair) Categoria 5e, ou seja um ou dois parzinhos de cobre trançados e não blindados que suportavam por norma até 100 Mbps parecia bruxaria, e não engenharia. Mas era engenharia, funcionava perfeitamente e os sistemas de voz e de dados cresceram e se sofisticaram muito. Sem contar o cabo STP (Shielded Twisted Pair), para situações mais críticas de interferência.

Os sistemas hoje – Star Wars

Neste capítulo, vamos continuar a abordagem por sistema e ver como foi a sua evolução.

Automação Predial

Conceitualmente, os sistemas de automação predial mudaram pouco. O que evoluiu, de fato, foram os equipamentos, os softwares supervisórios e as redes de comunicação, estas já praticamente baseadas em protocolos padrões de mercado.

As gerenciadoras de rede hoje são equipamentos superpotentes, com acesso direto à Internet independente das Estações de Operação e Servidores dos Sistemas, alojam nelas próprias os softwares supervisórios de modo que qualquer computador que esteja na rede mundial e dotado das senhas de acesso ao sistema, pode acessar estas gerenciadoras e supervisionar o processo, ou até controlá-lo de qualquer parte do mundo se dispuser da senha correta.

Estas gerenciadoras são então Ethernet TCP/IP, e se integram a uma rede de controle geral do prédio, junto com suas Estações de Operação e com os demais sistemas que vamos ver a seguir. E, o mais importante, utilizam o cabeamento estruturado, seja com cabos separados por exigência do pessoal de TI, seja pelos mesmos cabos, com o uso de VLans. Ou seja, podemos distribuir gerenciadoras ao longo do prédio se precisarmos, e estes equipamentos precisarão nada mais que um ponto de rede no local onde forem instaladas. Começa aí o processo de convergência.

A outra evolução neste sentido são as denominadas subcontroladoras, que se ligavam às gerenciadoras via redes de campo, estas com padrões proprietários ou mesmo utilizando alguns emprestados da área industrial. Hoje estes equipamentos começam a evoluir também para o padrão Ethernet TCP/IP, de modo que mais dia menos dia as subcontroladoras estarão ligadas à rede de dados e precisarão de pontos IP no cabeamento estruturado. Daí, a vinculação das subcontroladoras às gerenciadoras de rede passará a ser virtual, por Vlan.

Ou seja, todo o sistema, lógico, sem contar a instrumentação de campo, passa a utilizar o cabeamento estruturado. Não mais infraestrutura própria para as gerenciadoras e subcontroladoras, mas somente para a instrumentação de campo. Para as gerenciadoras, a alimentação passa a ser a mesma definida para os switches de dados, ou seja, UPS’s e para as subcontroladoras, se estas forem PoE (Power over Ethernet), a alimentação corre pelo cabo de rede. Se não, há que efetuar uma alimentação por no break, seja do sistema de dados seja do sistema de automação.

Outro ponto importante que vem acontecendo em automação predial: algumas soluções passaram a utilizar intensivamente CLP’s de mercado. Ou seja, além da convergência de redes e da eliminação ou diminuição de infraestrutura própria, está ocorrendo também um aumento da área comum entre automação predial e industrial.

Circuito Fechado de Televisão - CFTV

Este foi de todos, o sistema que mais evoluiu em um curtíssimo espaço de tempo. O CFTV virou CFTV IP, e passou a ser suportado por uma rede de dados igual a uma rede de computadores. Cada câmera passou a ser microprocessada, com endereço IP e a Central de CFTV se tornou um servidor de dados, equipado com um software de gerenciamento para CFTV, geral ou de um provedor para vários tipos de câmeras de diversos fabricantes, ou específico de um dos fabricantes.

Ou seja, neste primeiro nível de evolução, um sistema de CFTV tem exatamente a cara de um sistema de computadores, cada câmera com seu endereço IP e o seu servidor gerenciando todo o sistema via a rede de dados de CFTV. E esta rede pode ser própria, se o pessoal de TI não quiser misturar as coisas, ou pode utilizar o mesmo cabeamento, sempre com a implementação de VLans. E vejam o mais interessante, todas as câmeras fixas IP da atualidade hoje são PoE. Quer dizer, a porta do Switch que recebe suas imagens e informações também as alimenta, acabando de vez com infraestrutura separada de alimentação. Indo ao limite, um ponto de rede do CFTV é hoje um ponto de informação, e se nele conectarmos qualquer outro elemento de qualquer outro sistema IP, este elemento estará em sua Vlan, própria. Por exemplo, telefones IP, que vamos abordar adiante. E as câmeras móveis também já estão neste processo, pois estão ficando com requisitos mais leves de alimentação, e os switches PoE já estão atendendo potências maiores em cada saída.

Então, para o CFTV, é a convergência total com o cabeamento estruturado. Alocam-se as câmeras segundo os critérios de segurança adotados, e pronto. Levam-se os pontos correspondentes do cabeamento como se levam os pontos dos computadores, na mesma infraestrutura.

Mas, esta é só uma parte da evolução do CFTV. A digitalização das imagens e o seu processamento na própria câmera, associadas ao número crescente de pixels nas mesmas, estão criando funções não imaginadas para estes sistemas. 0,5 megapixels era só o começo. Hoje se trabalha como 16 e até 29 megapixels, permitindo uma qualidade de imagem e discriminação de detalhes impressionante. Acresça-se a isto a capacidade de processamento funcional destas imagens, como por exemplo detecção de movimento, de comportamento, contagem de pessoas e de objetos, leitura de placas de veículos, para se ter ideia de onde estamos e até onde podemos chegar.

E falar em Terabytes quando se especifica capacidade de armazenamento de imagens já virou lugar comum. 100 terabytes ficaram baratos e se usam em aplicações médias.

Finalizando, criou-se finalmente um padrão para este segmento, padronizando os protocolos de comunicação entre as câmeras e o sistema, de modo que hoje já é possível pensar em utilizar equipamentos de mais de um fabricante em uma só solução. Este padrão é o ONVIF - Open Network Video Interface Forum.

Controle de Acesso

Novamente, o controle de acesso mudou pouco conceitualmente. Agora, tanto as gerenciadoras de rede de acesso como as controladoras denominadas de porta se tornaram IP, sendo que aquelas que controlam fechaduras magnéticas até 300 kg podem ser também PoE. Daí que não vai ser possível ainda nos livrarmos de toda a infraestrutura de alimentação no controle de acesso (pois existem fechaduras de 800 kg ou mais), mas o sistema em si está de fato convergindo para IP, já podendo ser considerado como altamente convergente. E as velocidades de comunicação, muito superiores aos sistemas iniciais, estão certamente trazendo enormes benefícios aos usuários destes sistemas, diminuindo muito os tempos de espera e viabilizando cada vez mais o uso da biometria.

Sonorização de Segurança (Public Adress)

Sonorização de segurança não mudou do ponto de vista de resultados. Já do ponto de vista de sistema, o que temos hoje não são mais amplificadores analógicos, mas amplificadores microprocessados, com interface Ethernet TCP/IP, vinculados a um servidor de sonorização que nada mais é do que um computador equipado com um software de gerenciamento do sistema. Aliando este aspecto ao conceito natural de distribuição dos switches de dados ao longo dos prédios em racks alocados a salas específicas de comunicações, o que se faz hoje e distribuir os amplificadores da mesma maneira, seja com redes específicas ou com VLans para a finalidade.

Melhorou demais. A setorização do som ficou muito mais fácil, os laços dos sonofletores derivam de locais mais próximos, são então mais curtos e gastam muito menos infraestrutura. Ou seja, outro conceito, outra solução e muito melhor. E mais, já estão sendo visualizados no horizonte sonofletores microprocessados, com pequenos amplificadores embutidos, e com interface IP. Será o cúmulo da convergência, não é? Em estádios e grandes ambientes, as grandes caixas acústicas já são amplificadas, microprocessadas e IP. Detecção e Alarme de Incêndio.

Houveram poucas mudanças nestes sistemas. Somente melhorias, detectores com dupla função etc. A descrição do item 1.2.5 cobre perfeitamente os sistemas atuais.

Cabeamento Estruturado

Os conceitos de cabeamento estruturado também foram mantidos. O que mudou, e mudou fortemente, foram as velocidades, tanto devido à evolução muito grande dos produtos empregados, quanto para atender às necessidades de uso, cada vez maiores em áreas que antes eram insuspeitadas nesta utilização. Senão, vejamos.

Dos sistemas focados na Categoria 5e evoluiu-se para a Categoria 6, esta última baseada em cabo UTP com capacidade de transmissão de 1 Gbps. Uma novidade para os seres de automação que faziam redes de 10 megabits com cabo coaxial. Um par trançado, não blindado, a 1 Gbps! E a evolução não parou aí, hoje se usam cabos STP a 10 Gbps (devem ser blindados, pois a esta velocidade ocorrem as chamadas alien interferences, que são bloqueadas pela blindagem), denominados Categoria 6a. E já há o uso comum da Categoria 7, a 40 Gbps e o uso ainda limitado da Categoria 7a, a 100 Gbps.

Fazer projetos e instalações em Cat 6 era um problema há alguns anos, devido a custos e à visão imediatista de alguns usuários, sempre alimentada por fornecedores loucos para ganhar as concorrências com soluções mais baratas, tipo 5e. E hoje, isto começa a acontecer com a Cat 6, que já sofre a concorrência forte da Cat 6a. Daqui um par de anos, a Cat 6a vai bater de frente com a Cat 7. E assim caminha o mundo, só que com uma aceleração jamais imaginada.

E porque as velocidades se tornam cada vez mais importantes? Vamos dar um exemplo bem interessante: em Shopping Centers, 10 ou 12 anos atrás, os sistemas de cabeamento eram, claro, Cat 5e. Para que mais? Quanto os lojistas, maiores ocupantes da rede de dados (tipo 200 lojas por empreendimento) iriam usar o sistema? Cartões de Crédito, um ou outro computador com baixíssimo uso? Então, a briga do Cat 5e era com cabo telefônico e com os Speedy da vida. Para que mais?

E hoje? O uso é intensivo, com tudo sendo feito pela Internet, Banco de Dados de Redes de Lojas, consulta a catálogos, recebimento e envio de fotos de produtos e porque não, pois não se pode proibir, navegação intensiva pela Internet quando não há clientes? De modo que o que tem sido visto em Shoppings que começam a retrofitar suas instalações são as reclamações em alto e bom som dos lojistas, que a Internet é uma carroça, tem que melhorar e muito as condições de acesso, etc.

De modo que a evolução da tecnologia na verdade está acompanhando pari passu a evolução da efetiva necessidade. Não dá para parar a primeira, porque senão em pouco tempo, os gargalos vão começar a surgir de novo.

Ainda, com a enorme convergência de tecnologia que se descreve acima, com todos os sistemas usando a rede, é de se prever que não vai parar mesmo, porque não pode. E, ainda bem, há condição para esta evolução.

Outro aspecto a ser considerado nos sistemas passivos de cabeamento estruturado atuais: eles são gerenciáveis, isto é, existem softwares que controlam qualquer alteração de pontos de rede, qualquer mudança de cabos e controlam também a alimentação elétrica dos racks. Em sistemas muito grandes, com centenas ou milhares de portas, dá para imaginar a facilidade de operação e manutenção que isto representa.

Mais tecnologias usando rede de dados?

Tem sim, e pesadas. Vamos por ora citar duas: Signage e TV IP.

Signage é o nome bonito para sinalização, apresentação de informações aos usuários. Lembram dos shopping centers antigos, com aqueles totens com informações impressas, letras pequenas, difícil de olhar, e de encontrar os dados procurados? Pois é, hoje estes totens são computadores, touch screen, e em um instante se navega e se localiza o que se está procurando. Mais, estão em rede, estão na Internet e dá então para imaginar as possibilidades. Mas não é só. Em centros de eventos, estações metroviárias, estádios etc, há redes com enormes quantidades destas telas (em um estádio da copa para 2014 foram previstas 3.000 de todos os tipos e tamanhos, dá para imaginar?) com informações de imagem, som e som + imagem. Com tudo isto, acabou sendo até criado o nome Signage. Virou uma tecnologia, com centenas de aplicações e um consumo de rede de dados muito grande.

TV IP. No Brasil ainda se olha a TV IP com desconfiança, mas esta tecnologia já é uma realidade lá fora, e demora muito pouco para chegar aqui. E o que é em seu conceito básico? É alimentar um Servidor de TV IP a com o sinal de TV seja a cabo seja por satélite, este Servidor empacota os sinais de TV em um protocolo de rede Ethernet TCP/IP e pronto. Cria-se uma Vlan para este sinal e ele está na rede de dados, como todos os demais citados até aqui. Na TV, acopla-se a rede a um conversor, que poderá até ser parte do equipamento (em uma entrada RJ 45 por exemplo) e o assunto está resolvido.

Estes servidores de TV IP, especializados, já são equipamentos de linha que são adquiridos sem nenhum problema no mercado especializado. Qual é então a dificuldade, e porque ainda não está sendo implementado massivamente no Brasil? Nosso modo de ver, o problema é só cultural, e o tempo que é mesmo necessário para a absorção de novas tecnologias.

Integração e convergência – a nova realidade

De onde se olha, nesta área de tecnologia, o que se vê é um panorama de convergência do conjunto de tecnologias prediais para as redes de dados. Todos, mas absolutamente todos os sistemas que hoje se aplicam ao setor ou já estão ou vão estar se comunicando via redes de dados, sendo as funções específicas executadas sempre pelos equipamentos que se ocupam das mesmas. Estes, cada vez com maior independência, já processam suas funções e encaminham somente resultados via a rede. Como por exemplo, as câmeras IP atuais, que processam imagens, algoritmos de detecção de movimento, como telas de sinalização que não são mais simples monitores de vídeo mas equipamentos microprocessados, com capacidade total de receber parâmetros e montar suas mensagens etc.

Do ponto de vista de sistemas integrados, que são as várias funções independentes que trocam informações e a partir desta troca criam ações de causa e efeito notadamente no contexto de segurança, mas também em contextos puramente funcionais, o caminho percorrido também foi longo. Por exemplo, fazer uma Central de Detecção de Incêndio das antigas se comunicar com o sistema de automação era o parto da montanha. Como conseguir que um alarme de fumaça agisse e, após o time out determinado pela ausência de operador, desligasse o insuflamento de ar no ambiente afetado sem que os sistemas se comunicassem era impossível. Há outros exemplos, que poderiam ser citados à exaustão.

Com os sistemas todos na mesma rede, gerenciados por um servidor comum, e com um banco de dados único, esta integração passou a ser decorrência, somente focada no bom trabalho de um integrador de sistemas competente.

Um exemplo interessante é o projeto dos sistemas de telecomunicações e segurança da Linha 6 do Metrô de São Paulo. Lá há uma só rede de dados, desde o centro de controle até todas as estações, inclusive entrando dentro delas e alimentando a rede wired e a rede wireless. Os pontos internos de cada estação são denominados pontos de informação, e podem atender desde um aparelho telefônico, uma câmera de CFTV, um Terminal Multimídia de informações, um amplificador IP, um hot spot wireless. Ou seja, já é um projeto de cabeamento estruturado somente, que atende a todos os sistemas.

Do Centro de Controle (CCO) o operador pode acessar qualquer câmera de qualquer estação pelo seu endereço IP. Isto vale para qualquer dos equipamentos colocados em rede. Mais ainda, qualquer porta de qualquer switch pode em tese receber qualquer aparelho com endereço IP, sendo necessária somente a reprogramação lógica dos pontos dos switches para isto acontecer.

Conclusão

A conclusão que se coloca é que, do ponto de vista de tecnologia, os prédios não são mais os mesmos. Não são a partir de hoje e, certamente, evoluirão muito mais ainda daqui para a frente. Há trinta, quarenta anos, tinham sistemas elétricos, hidráulicos, telefone e ar condicionado incipiente. Quando se mensura a janela de tempo, se torna impressionante observar a velocidade da evolução. E, mais que a velocidade, a sua aceleração.

Outro fator que impressiona ao longo do processo é a relação empreendedor x usuário. Antes, o primeiro se obrigava a colocar um pouco de tecnologia no seu empreendimento não porque achava útil, mas porque tinha concorrentes fazendo e precisava se igualar a eles. Foi a época do prédio esperto, aquele que não precisava ser inteligente, gastar o mínimo suficiente para parecer que tinha sido feita alguma coisa. O usuário, então, não dava a menor pelota para estes itens. Não precisava, ou achava que não precisava, estava mesmo interessado no preço do metro quadrado, na localização, etc.

Hoje a coisa inverteu. O usuário precisa, sabe que precisa, e o empreendedor sabe que tem que equipar adequadamente seus prédios, sob pena de não conseguir usuários para os mesmos. Quem aluga hoje um escritório que não tenha na origem recursos de Internet em alta velocidade, um sistema eficiente de segurança, uma otimização de custos proporcionada por uma boa automação predial?

De modo que, no momento em que o usuário passa a saber e exigir claramente suas necessidades, e que o empreendedor hoje compreende e implementa estas necessidades, o caminho da tecnologia embarcada em prédios passa a ser irreversível, e sempre, em um ritmo de evolução muito acelerado.

Assim, a visão é que os empreendimentos prediais de todos os tipos, daqui em diante, de forma escalonada segundo suas aplicações, se tornarão cada vez mais equipados com as tecnologias de automação, segurança, cabeamento e áudio & vídeo, sempre integradas em redes de dados únicas e funcionalmente através destas redes, tornando as edificações mais seguras, econômicas, confortáveis para o uso mas, sobretudo, pari passu com a tecnologia do mundo exterior, com a qual interagem todo o tempo.

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