Artigo escrito pelo engenheiro David Jugend e publicado na revista Revista Mercado de Automação Residencial em 2001

Histórico

Começou-se a falar de Automação Residencial no Brasil em fins de 1997 e início de 1998, portanto, há apenas 3 anos. Neste pequeno espaço de tempo, o tema evoluiu de uma maneira assombrosa, partindo de soluções simples para problemas isolados até o momento atual, com projetos integrados altamente sofisticados, que pretendem resolver a casa moderna e inseri-la definitivamente no século 21.

Foi marcante, neste contexto, a implementação da Casa do Futuro, apresentada na FEHAB 1999 em um trabalho conjunto de várias empresas, com o projeto e a implantação da solução executados pela Jugend Engenharia, contemplando a primeira solução completa com visão integrada de tudo o que iria compor, de fato, uma residência conceituada para atender as demandas de tecnologia então presentes.

A abordagem envolveu a automação residencial propriamente dita, contemplando o ar condicionado, os portões de garagem, o controle e cenários de iluminação, a simulação do controle de bombas de piscina (era uma casa montada em uma feira!); a segurança, com sistema de câmeras de monitoramento e vídeo porteiros integrados ao computador de controle, compartilhando o mesmo com as demais funções.

Foram viabilizados e implantados sistemas de voz, dados e vídeo abrangendo a residência como um todo, baseados na definição e personalização dos vários ambientes (salas, quarto, home theater etc.), com pontos de telefone, de rede de computador e de vídeo instalados onde necessários a alteráveis quando preciso.

Finalmente foi incluído o hoje denominado entretenimento, com sistemas de home theater sofisticados e distribuídos através de uma central de áudio e vídeo, computadorizada, por toda a casa.

Faltaram na época, as redes integradas de eletrodomésticos, que começam a aparecer com mais frequência tanto nos produtos possíveis de serem interconectados como em soluções projetadas.

Os caminhos

A Casa do Futuro deu a largada, no Brasil, para a Home Automation como hoje está sendo encarada ou seja, uma solução de sistema integrado global, porém personalizada tanto para o perfil tanto do imóvel como para o de seu proprietário. A partir deste ponto de quebra, a quantidade de projetos na área cresceu exponencialmente, bem como o número de profissionais e entidades envolvidas no processo. É emblemático o aparecimento em 1999 da Aureside, Associação de Automação Residencial a qual, surgida do nada cresceu assustadoramente graças aos esforços de seus fundadores mas também, à existência de mercado e de plateia. A Aureside montou em 2000 a primeira exposição sobre o tema, evento que tem toda a cara de vir a evoluir para se tornar a referência deste mercado.

Dúvidas e profissionais envolvidos

Até aí, se o que vê é o lado dos profissionais que executam ou fornecem projeto e soluções para Home Automation. O outro lado é representado pela dicotomia “profissionais envolvidos X clientes”, os primeiros representados por arquitetos, decoradores de interiores, projetistas de áreas complementares como elétrica, hidráulica e ar condicionado etc., e os segundos, pelos proprietários dos imóveis, empreendedores, empresas de comercialização de empreendimentos etc.

É basicamente no segundo lado que surgem as dúvidas. Como a tecnologia evolui com uma velocidade incrível, às vezes acompanhada com certa dificuldade pelos próprios profissionais envolvidos em projetos que as utilizam, é perfeitamente natural a insegurança gerada nos outros meios que, devido à necessidade, acabam tendo que ter contato, às vezes bastante íntimo, com conceitos e sistemas dos quais muitas vezes, não nem uma noção aproximada da aplicação. “O que é e para que serve?”.

Surgem neste momento dois pontos a serem considerados, e que também são objeto de questionamentos frequentes: a da real necessidade de se colocar em uma casa toda esta tecnologia que não se sabe bem para que serve, e do ponto de equilíbrio ou seja, dentre tudo o que está disponível, o que deve ser instalado, considerando o trinômio necessidade X orçamento X tamanho e uso do imóvel.

Na realidade, estes aspectos são os mais colocados em todas as reuniões de projetos que a Jugend efetua com seus clientes. As dúvidas são atrozes sempre que se trata do orçamento disponível confrontado com a aplicabilidade da função (“vou gastar este dinheiro e vou acabar não usando nada disto” ou “será que esta verba não seria mais bem empregada na decoração?”).

Quando a visão e o conhecimento daqueles que tem que avaliar e decidir o que fazer evoluem (e isto já está acontecendo e bastante), as dúvidas também evoluem e ficam mais bem direcionadas, facilitando bastante o andamento dos trabalhos e o que é mais importante, não permitindo que devido ao desconhecimento, sejam tomadas decisões que irão impedir a residência em foco e seus futuros moradores de usufruir os benefícios da modernidade.

Outras perguntas importantes que ocorrem com bastante frequência: “com tantas funções disponíveis, o que é importante para o meu projeto?”; “é necessário instalar tudo de uma vez senão não funciona”; ou “pode-se efetuar um planejamento que atenda às necessidades de uso e de orçamento?”.

A Automação Residencial – composição

Critérios

Para que se possa avaliar os dois pontos em foco neste artigo, torna-se necessária uma breve descrição do que hoje está disponível para automatizar uma casa. É importante, na conceituação que segue, a definição não só do “o que”, mas também do “porque”. Outro ponto importante a ser colocado é a visão atual de projeto no sentido de, uma vez definidos os “o que” a partir da aprovação dos “porque”, sejam estabelecidos os “como” (projeto propriamente dito) e os “quando”, na realidade um cronograma definindo prioridade de implantação a partir das necessidades colocadas e do orçamento disponível.

Ou seja, respondendo à última dúvida, é possível sim, planejar a implantação de forma gradativa, desde que o projeto tenha efetuado a previsão de todas as funções (presentes e futuras) e deixado tanto a infraestrutura como as interfaces para as mesmas preparadas. Por exemplo, se no futuro for necessária a instalação de um controle de acesso na porta central de uma residência, o projeto deve prever tubulação e espelhos para as leitoras externa e interna, fechadura magnética e sensor de porta. Uma futura monitoração de imagem por câmeras na entrada ou na garagem deve prever tubulação e local de instalação, bem como capacidade na central de CFTV para absorção de câmeras suplementares.

Outro aspecto que não pode ser esquecido e que está detalhado na análise a seguir: residências podem ser isoladas ou fazerem parte de condomínios, sejam horizontais sejam verticais. A automação do condomínio embora complemente a Home Automation é um pouco diferente, mais próxima da Automação Predial e deve ser considerada desta forma neste estudo.

Da residência

As residências, hoje, estão de fato mudando de perfil. Com o que hoje está disponível no que concerne a tecnologias de ponta de uso comprovado, passa a ser possível prover as casas que estão sendo construídas de soluções que garantam a seus usuários sua inserção no mundo que hoje se vislumbra, da comunicação eficiente, do escritório em casa, do cinema em casa, com conforto e segurança.

Ou seja, é perfeitamente possível preparar a unidade residencial para que esta, ao ser entregue, esteja equipada com a infraestrutura necessária destinada à automação de suas funções básicas, ao acesso a sistemas sofisticados de telefonia, a infovias de dados de alta velocidade que cada vez mais estão disponíveis nas ruas ou via satélite, com redes de computadores internas, ao acesso a redes externas e com sistemas integrados de home theater alimentados por uma central geral, abrangendo os ambientes determinados pelos proprietários etc.

Estas ações visam planejar hoje a casa para receber os recursos que já existem bem como aqueles que virão, e que virão rápido. O conjunto de tecnologias que hoje podem ser incorporadas a uma residência, em especial aquelas em início de construção, é bastante abrangente, e está revolucionando profundamente não só o conceito de construir como, com maior relevância, o conceito de habitar.

Construir as casas para que seus usuários possam dispor destas facilidades de forma integrada e otimizada é o foco que vem sendo dado hoje, com maior relevância para os empreendimentos cuja construção se inicia sem esquecer porém, o retrofit de casas em pleno uso. E isto deve ser efetuado sempre adequando a tecnologias às reais necessidades de cada setor e de cada usuário, de forma que a solução seja escolhida levando em conta todos estes fatores.

Do condomínio

Um condomínio projetado nos dias que correm deve necessariamente garantir às residências que irão nele se situar as condições mínimas necessárias de segurança, de forma que seus habitantes possam se sentir protegidos e à vontade em suas casas ou apartamentos.

Deve também levar em conta as necessidades atuais e cada vez mais prementes de informações que devem servir às casas, provendo por este motivo as quantidades suficientes de linhas e ramais telefônicos, pontos para redes de dados de alta velocidade e distribuição de imagem a partir dos fornecedores disponíveis de telefonia, serviços de dados, TV a cabo, dados e/ou TV via satélite etc.

Assim, o projeto da parte condominial deve ser cuidadosamente elaborado ao nível de decisão de estratégias de atendimento às residências, de forma que cada usuário possa ter o acesso hoje ao conjunto de informações que queira ou necessite, sempre a partir da disponibilização destas informações do mundo para o condomínio e deste para as casas, de maneira inteligente e otimizada.

O condomínio deve, ainda, ter as condições de efetuar o up grading de seus sistemas até o limite do conhecimento atual, de forma que venha a ser possível a modernização dos equipamentos operacionais como computadores, centrais telefônicas, sistemas de imagem (por exemplo, televisão de alta definição) sem que seja necessária uma alteração na infraestrutura e cabeamento instalados. Complementando, não devem ser esquecidas as funções de automação de utilidades como sistemas elétricos, geradores, sistemas hidráulicos e outros, a serem controlados de forma a otimizarem a operação e colaborarem na diminuição dos custos operacionais do empreendimento.

Tecnologia em Residências Voz e dados

Os sistemas de comunicação em uma casa, de modo geral, são agrupados em três tipos distintos:

  • Voz: videofone, telefones e interfones;
  • Dados: rede de computadores, acesso à Internet e links de alta velocidade;
  • Imagem: TV a cabo e circuito fechado de TV.

Para atender adequadamente a distribuição destes três itens na residência, deve ser prevista uma pré-cablagem que garanta que os elementos disponíveis à sua porta sejam distribuídos em todos os ambientes definidos pelo proprietário, empreendedor, arquiteto etc. Assim, devem ser levados em conta no projeto os seguintes aspectos:

  • Previsão de uma rede estruturada de voz e dados (telefonia e computação), com pontos disponíveis nos principais ambientes da casa, como por exemplo na sala, nos dormitórios, no escritório, na sala de home theater etc;
  • Quadro geral de comunicações (o Painel de Comunicações), para que se possa a configurar e implementar do sistema telefônico e de computadores. Este quadro terá que ser concebido com os equipamentos necessários às várias funções, como por exemplo, hubs para o sistema de dados;
  • Pontos de TV em todos os ambientes, com a infraestrutura já instalada.

Imagem

Os pontos de imagem ou vídeo devem hoje ser distribuídos em uma casa seguindo a mesma filosofia de voz e de dados, ou seja, estruturados a partir do Painel de Comunicações e levando-se os pontos até os ambientes definidos em projeto. Desta forma, podem ser usados seja para televisores comuns, seja para alimentarem sistemas de home theater localizados em ambientes específicos.

Dentro do Painel, devem ser instalados do mesmo modo que para voz e dados, hubs de áudio e de vídeo que irão efetuar a distribuição seja do sinal externo (da antena ou TV a cabo) ou tratado (oriundo de uma central de áudio e vídeo para o home theater).

Implementação de voz, dados e imagem

A residência deve ser prevista com o número de ramais suficientes para atender suas necessidades, dimensionadas em projeto. Para dados, deve-se sempre levar em conta a possibilidade de acesso à rede Internet em alta velocidade utilizando um link direto sem o uso de linhas telefônicas. Vale o mesmo para os demais links de dados que forem disponibilizados aos usuários.

A quantificação dos pontos de voz, dados e imagem para a casa, é efetuada pela configuração de cada ambiente, definindo-se as funções e pontos a serem alocados a este. Em seguida, projeta-se a cabeação toda, encaminhada ao painel de comunicações, ao qual também são dirigidos os links externos destinados à residência como TV a cabo, telefones, redes de dados etc.

  • No painel efetua-se a configuração final da casa, conectando-se os pontos de entrada aos pontos originários dos ambiente que foram escolhidos para receberem cada tipo de informação como TV a cabo, pontos de telefone, pontos de dados etc. Esta configuração pode ser alterada ao longo do tempo, devido a mudanças no perfil de uso do imóvel (por exemplo, um quarto pode ser transformado em escritório), somente no painel, sem que seja preciso alterar fiação, quebrar paredes etc.

Segurança Patrimonial

Segurança deve focar tanto a residência como o condomínio. Os sistemas interno (da casa) e externo (do condomínio) devem ser necessariamente interligados, de forma que os alarmes da casa ou apartamento sejam transferidos para a central do condomínio, ou mesmo para uma central externa ao empreendimento.

É o conceito de centralização dos alarmes. Parte-se de incidências em cada ambiente, como por exemplo unidades codificadas para abertura de portas, botões de pânico em locais críticos, detecção de fumaça e gás na cozinha e local do aquecedor etc. Todas estas informações são colocadas em centrais internas de alarme, que as transmitem para a central de controle do condomínio. Esta, ao detectar o alarme, informa automaticamente ao operador, que toma as providências cabíveis.

A área externa deverá ser equipada com câmeras de CFTV, de modo que a segurança das residências venha a ser efetuada de forma mais eficiente e otimizada, com um corpo mínimo de vigilantes.

Automação residencial - conforto

O incremento do conforto é um adicional que o sistema de automação residencial pode trazer. As principais funções disponíveis são:

  • Controle da iluminação por controle remoto e de forma centralizada;
  • Controle do ar condicionado.

A operação do sistema de iluminação normalmente é efetuada por comando direto, comando para cenários, por programação horária ou por sensor de luminosidade, de forma que o sistema poderá, em caso de necessidade devido à ausência dos proprietários, controlar as luzes internas e externas sem necessidade de intervenção humana.

Já o ar condicionado é controlado parcial ou totalmente, dependendo do porte da casa e do sistema que o equipa.

Home Theater

O projeto de Home Theaters hoje, não pode deixar de levar em conta os avanços significativos ocorridos nas áreas principais que interferem com estes ambientes, quais sejam som, imagem, computação e telecomunicações.

Deve considerar também o alto grau de integração destas quatro funções, o que permite que o local seja projetado utilizando conceitos altamente sofisticados e, ao mesmo tempo, com custos adequados.

Do mesmo modo que no setor de eletrônica profissional (comercial, industrial e predial), houve uma evolução fantástica no setor de som. Do som estéreo passou-se para o conceito de som ambiente ou Surround Sound, com sistemas de sonorização simulando os mais diversos ambientes, à escolha do usuário.

Esta evolução criou as condições adequadas de sonorização que, em outros ambientes, podem repetir corretamente as situações excepcionais das mais modernas salas de cinema. Podem também duplicar com precisão fantástica, salas de concerto, igrejas, concertos de rock, jazz etc.

O advento da função Dolby Pro-Logic e posteriormente Dolby Digital (respectivamente canal central de voz sintetizado e Stereo nos canais posteriores) e DTS, em centrais inteligentes e multifuncionais de áudio - vídeo, de aparelhos de Vídeo Laser, Digital Vídeo Disc (DVD), videocassetes estereofônicos, televisores de grandes dimensões e alta resolução (ou mesmo de projetores em tela com resolução duplicada ou quadruplicada), criou as condições reais de se implementar sistemas de projeção em residências , com características e condições operacionais que permitem a colocação de imagem e som em condições de serem usufruídas como se se estivesse no ambiente escolhido.

As modernas Centrais de Home Theater permitem que o som e a imagem das várias fontes presentes no ambiente principal sejam distribuídos por toda a casa e que possam ser vistos em sistemas secundários, comandados por controle remoto de cada um dos ambientes selecionados para tal. Por exemplo, nas salas comuns aos quartos, é possível implementar um home theater secundário, selecionando-se por controle remoto, destas salas, o que se deseja ver a partir da fonte da sala principal. Funções da automação residencial – “o que” e “porque”.

É importante conhecer as funções hoje disponíveis para home automation. O “o que”, com uma explanação sobre sua existência e justificativa de aplicação – e o “porque”, de forma que seja possível a avaliação da necessidade de sua implantação, especialmente por aqueles que tem dúvidas sobre o que está sendo proposto, como funciona e, principalmente, para que serve.

É sempre bom lembrar que existem casas de 50 m2 e de 4.000 m2; são possíveis soluções para cada uma delas, as quais porém tem que se adaptar ao orçamento da obra (nos imóveis menores) ou ao dos proprietários (nos imóveis maiores). Dois apartamentos de 400 m2 no mesmo prédio podem ter soluções completamente diferentes, pois estas serão baseadas principalmente no perfil dos proprietários – como cada um vê o mundo, que cultura possuem, experiência de vida e necessidades.

A lista a seguir procura cobrir todos os pontos que hoje são avaliados nestas situações. Logicamente, terá que ser adaptada para cada tipo e padrão de imóvel, com o conteúdo adequado e compatível. Existem funções que se explicam sozinhas, não necessitando de detalhamento.

Voz ou telefonia:

  • Acesso a canais de comunicação de alta velocidade do tipo E1 (velocidade de 2 Mbps, fibra ótica).

Hoje nas cidades médias e grandes, as companhias telefônicas disponibilizam redes de telefonia em fibra ótica as quais, dependendo do caso, podem ser conectadas a casas de grande porte ou condomínios. De outro modo, o acesso é pelo método tradicional, ou seja, via a rede de fios em cobre.

  • Central de comunicações do condomínio - com ramais, linhas exclusivas, linhas de alta velocidade etc.

O uso de linhas telefônicas individuais solicitadas pelos proprietários e instaladas diretamente pelas companhias telefônicas, em se tratando de residências de grande porte e de condomínios, está se tornando a exceção e não a regra. O usual está sendo dotar estes empreendimentos de centrais telefônicas próprias, otimizando o número de linhas, aumentando sobremaneira as facilidades proporcionadas por centrais digitais modernas diminuindo e os custos com as comunicações.

  • Painel de comunicações da casa ou apartamento e distribuição interna para os ambientes.

A residência moderna está sofrendo uma modificação conceitual grande: se antes era dotada do quadro elétrico com os disjuntores que ligavam ou desligavam seus diversos setores, hoje, além deste quadro, terá também o denominado painel residencial de comunicações, com a concentração de um lado das informações de voz dados e imagem que vem do exterior da casa e de outro, das mesmas informações que vem da parte interna, de seus ambientes.

É neste painel que se efetua a configuração dos ambientes, definindo por meio de painéis de conexão e jumpers, os pontos de voz, dados e imagem para o quarto do casal, escritório, cozinha etc., e também a alteração desta configuração (por exemplo, mudança de escritório para quarto).

  • Unificação dos telefones, dos interfones e dos vídeo porteiros, a fim de colocar as três funções em um único aparelho.

Dados:

  • Acesso à Internet independente da central telefônica.

Primeiro passo para o acesso a redes de dados sem usar o sistema telefônico tradicional (o adeus ao dial up!). As opções mais comuns hoje, são o método ADSL, utilizado no sistema Speedy da Telefónica, e o uso do sistema de TV a cabo, como por exemplo o da NET.

  • Acesso a infovias de dados de alta velocidade de dados (Netstream, Metrored, Telefónica e outros).

Esta é a segunda possibilidade de acesso a redes de dados por uma residência. Hoje estão disponíveis nas portas das casas em cidades médias e grandes (daqui a pouco, em todas elas independente do tamanho!) cabos enterrados de fibra ótica nas quais que pode trafegar qualquer rede de comunicação de dados. Por exemplo, pode servir para conectar ao condomínio Internet em alta velocidade ou efetuar um link direto da rede de dados da residência com a rede de dados da empresa do proprietário.

  • Previsão para conexão via satélite.

Este caso acaba sendo somente aplicável para condomínios horizontais ou verticais e residências de grande porte. Dificilmente casas ou apartamentos pequenos terão previsão para este tipo de conexão .

Imagem:

  • Infraestrutura com pontos de entrada de TV a cabo, ou outros serviços de imagem como redes de notícias, de filmes (por exemplo, central condominial) etc, na central de comunicações da residência. Uso de hub’s de áudio e de vídeo nesta central para distribuição aos diversos ambientes.
  • Integração das imagens do circuito fechado de TV com os computadores e com as TV’s;
  • A integração dos sistemas de imagem, seja das entradas de TV a cabo, seja do circuito fechado de televisão (segurança) e da rede de computadores traz possibilidades hoje incríveis, como por exemplo ver a Internet no telão do home theater, ouvir músicas em MP3 no sistema de som, ou ainda ver a imagem do visitante no computador em que se está trabalhando.

Segurança Patrimonial:

  • Sistema de vídeo porteiros com aparelhos em ambientes selecionados e acesso através dos ramais das residências.
  • Detecção de presença nas proximidades dos imóveis (perímetro do terreno).
  • Controle de acesso eletrônico nas portas principais e detecção de invasão dentro das casas (no perímetro das mesmas).

O controle das entradas das casas com teclados e senhas de alarme, cartões no lugar de chaves ou até sistemas mais sofisticados como por exemplo sensores de mão ou de íris, podem ser instalados, sempre associados a fechaduras magnéticas, sensores de portas e janelas etc. Há um aumento significativo da segurança com a utilização deste tipo de controle, dependendo naturalmente de onde for aplicado.

Alarmes de Emergência através de botões e/ou ramais telefônicos colocados nos banheiros, escritórios etc (internos às casas)

Banheiros são locais da grande incidência de mal estar, especialmente de habitantes mais velhos. Daí a escolha destes ambientes para a locação deste tipo de alarme.

  • Sistema de Detecção de Incêndio.
  • Detecção de Vazamento de Gás com sistema de bloqueio do fornecimento.

Conforto:

  • Controle da Iluminação

Controlar a iluminação é hoje um dos grandes diferenciais da automação residencial. Seja com o foco em economia seja com a visão do conforto, este tipo de controle traz sempre uma série de benefícios ao proprietário, na medida em que permite o desligamento das luzes em ambientes não utilizados, a iluminação de ambientes para diversos tipos de uso (cenários), dimerização controlada para uso em home theaters (o que pode ser melhor que a diminuição gradativa da luz para o início de uma sessão de cinema, ou seu aumento gradativo sem o choque da iluminação total após um período prolongado de escuridão?).

Além disto, em residências isoladas, pode-se prever sequenciamentos automáticos destinados à simulação de presença, durante viagens dos proprietários.

  • Controle dos sistemas de ar condicionado;

Sistemas de ar condicionado, hoje, podem ir do aparelho de janela até sistemas completos de água gelada, com fancoils em cada ambiente. Cada solução enseja um tipo de ação da automação residencial, que vai desde o simples liga/desliga do aparelho por questão de segurança até o controle total do sistema, atuando sobre chillers, fancoils etc.

Home Theater:

  • Previsão de infraestrutura nos vários ambientes das casas ou apartamentos.

Prever o home theater completo, distribuído em toda a casa deve ser o conceito do de projeto. Onde instalar, passa a ser decisão do proprietário, decisão que se torna mais fácil na medida que a infra-estrutura tenha contemplado o maior número de situações possíveis.

  • Central de home theater do condomínio, com programação de filmes e estude o de pay per view.

Em condomínios, pode-se criar uma central de vídeos, desde aquela com filmes pré-programados até versões mais elaboradas, como por exemplo com a possibilidade de ver filmes de forma individual, comunicação pela Intranet do empreendimento para a troca de informações e dados para tarifação. É necessário neste caso, prever o ponto de acesso para esta função no painel de comunicações da residência.

Geral:

  • Definir número de pontos de voz e dados por ambiente da casa com flexibilidade para adicionar e/ou realocar pontos de TV, telefone e de rede. Flexibilidade para trocar ramais de telefone por pontos de rede de computadores;

Estas são características intrínsecas dos sistemas atuais de cabeamento estruturado e de um projeto corretamente executado. A modernidade de uma residência e seu ingresso para o acesso ao futuro tem parte importante associada a esta implantação.

  • Integração dos sistemas de alarmes e de automação para acesso via Internet;

Surgem sempre perguntas durante o processo de definição de uma residência automatizada, vinculadas ao uso da Internet para o acesso a esta e aos sistemas implantados, bem como para o acionamento de determinadas funções. A resposta a estas perguntas é positiva. A criação de um site na Internet para a residência permite que se efetue o link com o sistema instalado (sempre protegido por senhas) e o acesso a todas as funções que estiverem disponíveis no computador de comando. Por exemplo, pode-se verificar no sistema de CFTV, câmera externa localizada no portão, se a situação está tranquila; se o acesso à porta principal está desimpedido.

No sistema de light control é possível ver que luzes estão acesas e desligar ou ligar aquelas que se desejar. Se houverem eletrodomésticos conectados, pode-se também atuar sobre os mesmos. E assim por diante, nos limites da imaginação e, naturalmente, da viabilidade do projeto e da capacidade dos sistemas.

Conclusões

De fato, o que está disponível hoje é o bastante para dar dor de cabeça até nos profissionais que trabalham com projetos. Que dirá nos demais. Porém há hoje uma grande vantagem, que não existia há alguns anos atrás: o uso da tecnologia, em especial de computação e de comunicações, já é uma realidade e está se tornando corriqueiro. Não assusta mais às pessoas falar e discutir sobre redes de computadores, Web Sites, enviar e-mails e de outras tantas coisas mais. E não assusta porque este uso já é intensivo, constante e crescente. Daí que os sistemas integrados de automação residencial começam a deixar de ser bichos de sete cabeças para se tornarem acessíveis, tanto no seu entendimento quanto da inclusão dos mesmos nos orçamentos dos empreendimentos. Tudo isto facilita a resposta às perguntas reproduzidas neste artigo, que podem ser vistas de forma conceitual a seguir.

Quais as reais necessidades com relação a sistemas de automação residencial?

Definir as reais necessidades de um sistema a ser instalado não é trabalho do projetista ou do instalador dos sistemas. O projetista tem a obrigação de apresentar ao seu cliente ou aos que o representam, o conjunto de funções que podem ser aplicadas ao imóvel e iniciar um processo interativo com eles, até se chegar ao conjunto de funções que irão atender adequadamente quem? naturalmente, o futuro morador. Ele é a pessoa que tem que avaliar e definir os recursos dos quais quer dispor, a partir do que sabe existir. E para saber o que existe, ou já dispõe da informação ou tem que tomar conhecimento. Esta é, então uma das funções mais importantes de um projeto bem executado: direcioná-lo sempre no sentido de informar e atender adequadamente o seu cliente, e não de tentar definir por ele o que deve ser instalado.

Qual o ponto de equilíbrio entre o que existe, o que é realmente necessário e o dinheiro disponível?

Ponto de equilíbrio, no caso de sistemas de automação residencial, é o compromisso entre as denominadas reais necessidades (o que é realmente necessário) e o orçamento disponível. Quanto dinheiro foi alocado no budget geral da casa para as funções de automação, segurança, comunicações e entretenimento, e quanto vai custar efetivamente tudo o que se definiu como imprescindível após o trabalho inicial de projeto.

A decisão imediata, e até natural, é adaptar o projeto ao numerário disponível, sacrificando o conjunto de facilidades a serem instaladas em nome da viabilidade total do empreendimento. Está quase certo.

Para que o processo como um todo, do projeto à instalação, seja o mais correto possível, deve-se dimensionar o sistema para cobrir as todas as reais necessidades definidas na partida e implantar a infraestrutura adequada para atender a este todo. Assim o imóvel, previsionalmente, estará preparado para que, no futuro e em condições financeiras mais favoráveis, se possam complementar as funções definidas como importantes.

Aí, sim, partir para a solução que atenda o orçamento, instalando o sub set de funções indicado pelo “ponto de equilíbrio”.

Projetos bem executados partem sempre destas premissas. A Jugend Engenharia desenvolveu, ao longo dos anos, métodos e sistemas destinados a vincular as soluções a elas, de maneira a minimizar sempre os problemas dos futuros usuários seja com funções que não precisam ou que não sabem utilizar, seja com orçamentos inexequíveis.

O uso destes métodos tem servido para, gradativamente, diminuir a insegurança dos futuros usuários e também das outras pessoas envolvidas no processo de absorção e de implantação das novas tecnologias, de forma que se espera que, em um curto espaço de tempo, as dúvidas básicas comecem a ser transformadas em questões de maior profundidade, indicando que o entendimento da Home Automation saiu do pré-primário e passou para o ginásio, com louvor.

Topo