Artigo escrito pelo engenheiro David Jugend e publicado na revista da Intech

Introdução

O que aprendi nos meus anos de formado é que os textos técnicos devem ser escritos de forma impessoal. Porém, depois muito tempo sendo impessoal e me esmerando para isto, cheguei à conclusão que quero escrever um artigo na primeira pessoa.

Por quê? Porque a experiência que adquiri na área que trabalho hoje, e à qual dediquei pelo menos os últimos 20 anos de minha vida profissional, me diz que o que quero colocar neste texto é efetivamente pessoal. Quero poder definir o contexto, as análises e avaliações e especialmente as opiniões, em meu nome e não em uma terceira pessoa.

Vou falar aqui sobre automação predial, segurança patrimonial e cabeamento estruturado aplicado a plantas industriais. Especialmente, sobre segurança predial e pessoal em indústrias. E vou falar para um público interessantíssimo, os leitores da Intech que trabalham na área mais complexa da automação que é a automação industrial. E que, via de regra, não tem nem ideia de que em suas instalações estas coisas são necessárias.

Falo com conhecimento de causa, pois trabalhei dezoito anos em plantas industriais e nunca tinha pensado em como a água chegava às torneiras, ou como o ar condicionado, quando tinha, era controlado. De fato, o controle naquela época era zero e hoje, precário. Vale o mesmo para os sistemas de segurança.

O conceito de gerenciamento de facilities, como até hoje funciona em muitas instalações industriais e mesmo prediais (shopping centers, prédios de escritórios, hospitais etc.) costuma ser terceirizado, e é conduzido em geral por empresas e profissionais que valorizam pouco a necessidade de controle automático das funções do prédio, de modo que não exigem estes controles e assim, a coisa anda muito no manual, com tabelas, anotações, listas etc.

Bom que do outro lado, mesmo que em minoria, já há uma turma que começa a entender a necessidade de automação para que seja possível incrementar a eficiência operacional, o conforto dos usuários e a diminuição significativa dos custos de operação.

Na maioria das plantas novas, e está havendo um boom enorme de fábricas se instalando no Brasil, há ainda um descaso muito grande seja por automação da parte de facilities, elétrica, hidráulica e ar condicionado que movimenta a parte predial, seja pela segurança, envolvendo a parte de Controle de Acesso, Circuito Fechado de Televisão e especialmente, Detecção de Incêndio. E também pela parte de TI, relativamente aos projetos destinados a dados, voz e imagem.

Normalmente estes projetos são executados por empresas especializadas em elétrica e hidráulica, que não tem nenhuma visão de como se deve fazer um sistema de automação, menos ainda de segurança. Todos estes sistemas envolvem hoje além dos conceitos estratégicos, um volume muito grande de tecnologia na área de sistemas e de equipamentos, cujo conhecimento faz uma falta enorme para quem não tem a formação adequada.

Para TI então, nem se fala. Com os conceitos de rede de dados evoluindo diuturnamente, em velocidades assombrosas, tendo também que atender aos processos hoje integrados que vão do comercial e administrativo à produção das plantas, controle de estoque etc., pode-se ver que mudou o foco de projeto destes sistemas. A evolução da telefonia jurássica para os sistemas de Voz sobre IP – VoIP, que hoje são projetados junto com as redes de dados, completa esta evolução.

É necessário ter especialistas, treinados e com conhecimento das normas correspondentes, de modo que as redes de voz e dados possam ser certificadas nas velocidades e distâncias definidas, e que então passem a ter o desempenho que se espera para atender às cada vez maiores exigências das aplicações, seja de processos produtivos seja da parte predial e, especialmente, de segurança. Porque as redes que atendem aos processos são ao fim e ao meio, as mesmas que atendem à automação e segurança.

Conceitos de Segurança Patrimonial

Olhando uma planta industrial do ponto de vista de segurança, existem vários aspectos a serem considerados:

  • Segurança Patrimonial, que envolve a propriedade em si, seus acessos, suas instalações e controles correlatos, como o controle do acesso à planta e a áreas sensíveis, imagens destes acessos e destas áreas, e proteção contra danos oriundos de sinistros, tanto preventivos como detecção de incêndios, vazamentos de gases etc. como de combate, tratando neste caso de sistemas de sprinklers, hidrantes, válvulas de bloqueio acionadas por detectores de gás etc;
  • Segurança das pessoas, com equipes de guardas que controlam fisicamente a propriedade;Segurança ao longo do processo produtivo, com as normas e restrições necessárias para que estes ocorram de forma segura, sem causar danos aos seus operadores e em última instância, aos itens em produção;
  • Segurança referente aos sistemas de informação, tanto aquela referente aos processos de produção, que se constituem em segredos das empresas, como aqueles referentes aos dados da corporação que trafegam em suas redes de dados. Em suma, segurança de TI.

Este artigo trata então da denominada Segurança Patrimonial, parte preventiva, e de possíveis interfaces que os sistemas e procedimentos envolvidos venham a ter com os demais sistemas listados acima.

Como se faz um projeto na área predial?

Geral

Área predial é o termo usado para os prédios que abrigam todos os tipos de atividades humanas. Vale para Shopping Centers, Hospitais, Escritórios, e naturalmente para as Plantas Industriais, que são o objeto deste artigo. Então, a abordagem inicial é sempre a mesma, partindo do princípio de que os prédios se dividem por tipo de aplicação e dentro delas, cada um tem suas especificidades. De modo que, embora existam similaridades entre prédios com aplicações similares, os projetos são sempre únicos, focados no empreendimento em si.

Automação Predial

Quando vamos definir o sistema de automação de utilidades da planta, estamos falando da parte de instalações elétricas, hidráulicas e de ar condicionado. Neste contexto, costumam ser inclusas variáveis como gás para aplicações prediais, elevadores etc. O que é feito então é estudar com profundidade os projetos destas disciplinas, e elaborar um check list a partir dos mesmos, avaliando todas as funções envolvidas e sugerindo as ações de supervisão e controle a serem executadas em cada uma delas. Uma lista destas funções pode ser encontrada a seguir.

Implantação ou área externa Automação de Utilidades – Elétrica/Hidráulica:

  • Sistema de Iluminação de Áreas Externas;
  • Sistemas de Irrigação e de Águas Ornamentais (se aplicável).

Gerais para a Planta

Automação de Utilidades - Elétrica: Sistema completo compreendendo:

  • Gerenciamento e supervisão da Subestação, incluído seccionamento e proteção;
  • Idem para Grupo Gerador / UPS’s;
  • Programação horária de equipamentos incluindo a iluminação interna e externa.
  • Gerenciamento da iluminação em função do fluxo luminoso no interior do complexo;
  • Sistema de Análise de Consumo e Demanda de Energia, com os respectivos controle.
  • Sistema de Análise e Controle do Fator de Potência;
  • Tarifações de energia elétrica, de hidráulica, gás e ar condicionado onde aplicável.

Automação de Utilidades - Ar Condicionado:

  • Sistema de Condicionamento de Ar;
  • Sistema de Ventilação Mecânica (Ventilação, Exaustão e Pressurização).

Automação de Utilidades - Hidráulica:

  • Sistema de Abastecimento, Tratamento e Armazenamento de Água Tratada;
  • Gerenciamento e supervisão de bombas, incluindo incêndio;
  • Gerenciamento e supervisão de Caldeiras de Aquecimento de Água;
  • Gerenciamento e supervisão da Central de GLP;
  • Sistema de Águas de Reuso (se aplicável);
  • Sistema de Águas Servidas;
  • Sistemas de tratamento de água e/ou de esgoto (se aplicável).

Se vocês olharem esta lista com cuidado, irão certamente tomar o mesmo susto que eu tomei quando comecei a fazer projetos nesta área: gente, têm tudo isto em um prédio? Como é que o pessoal que gerenciava prédios antes fazia para controlar tudo isto manualmente, sem uma ferramenta de supervisão e controle? Pois é, de um lado fazia, mas de outro, não havia tantas funções. Ar condicionado como é hoje deve existir somente há uns trinta anos, e o conceito de Green Building, que implica por exemplo, em água de reuso conforme listado, é ainda mais recente, coisa de uns três ou quatro anos.

De todo o modo, olhando hoje, trata-se de um conjunto de funções respeitável, envolvendo um número grande de equipamentos como bombas, chillers, quadros elétricos etc. E o gozado disto tudo é que os responsáveis pelas plantas industriais, novas e usadas, não tem a visão, ou a noção mesmo, de que há efetivamente a necessidade de um sistema para controlar tudo isto, de forma a gerar as já citadas otimizações operacionais, de segurança, custo e de conforto ao pessoal que nelas trabalha.

É muito claro que o sistema que controla o processo produtivo tem que existir, mas para o prédio? Pois é, também para o prédio! Com conceitos diferentes, menor complexidade, mas há que ter um sistema que faça este controle. E esta é hoje uma realidade, e um dos objetivos deste artigo, publicado em uma revista da área industrial, é mostrar esta necessidade e principalmente, focar na elaboração de um projeto de forma profissional, que venha efetivamente gerar um sistema que venha fazer a diferença na gestão de facilities da planta.

A idéia é então elaborar um documento do tipo check list, porém textual e com um conjunto de informações para cada uma das funções listadas acima, de modo que se possa discutir com o Cliente estas funções e se chegar a um consenso do que efetivamente deve ser automatizado. Vamos ter a supervisão e o controle da Subestação? Ou somente a supervisão? Se vamos ter controle, em que nível?

Controle de demanda (que o pessoal da automação industrial chama de rejeição de cargas), vamos ter? A planta é tarifada pela concessionária com valores diferenciados no horário de ponta (das 17:30 às 20:30)? Então tem que haver este controle.

Iluminação: quais cenários devem ser criados, para iluminação externa, de fachada, de totens da fábrica, halls de acesso, área de produção? Item que deve ser proposto, discutido e implementado com forte interação com o projeto elétrico. Claro, pois os quadros que controlam os circuitos de iluminação tem que estar preparados para isto. E, na área predial, é um tormento conseguir que muitos projetistas elétricos entendam e depois, implementem os contactores adequados, a barra de bornes para a interface da automação. Mas, acaba dando certo.

Em hidráulica, a coisa é mais simples quando os prédios são simples. Quando começamos a falar de Green Buildings, com toda a parte de água de reuso, tratamento de água cinza, reaproveitamento de água pluvial, a automação fica mais complexa.

Para o controle do ar condicionado, existem sistemas dos muito simples aos de enorme complexidade. Nenhum deles, exceto os aparelhos de parede e os splits, pode prescindir de um controle por sistema de automação. Se a Central de Água Gelada tem Chillers a Ar ou a Água, se a alimentação de água gelada à planta é efetuada por bombas secundárias e circuito de by pass, ou se as bombas são controladas com variadores de frequência; se os Fancoils (que fazem a transferência da energia térmica da água gelada para o ar) são simples ou de precisão (por exemplo para aplicação em data centers); se a distribuição do ar é efetuada por caixas de VAV – Volume de Ar Variável – ou por distribuição simples por grelhas. Ou seja, os exemplos mostram que sistemas de ar condicionado constituem um mundo a parte, e o projeto de sua automação deve ser detalhado, específico para cada situação e principalmente, contemplar malhas de controle bastante complexas.

Este check list é então discutido com os responsáveis pela planta, chegando-se a um consenso sobre o que e como automatizar e viabilizando, a partir daí, várias ações:

  • Diagrama em blocos do sistema de automação, mostrando a sala de controle (denominada CCO – Centro de Controle Operacional), as controladoras de rede e as controladoras de campo ou sub-controladoras;
  • Desenho da infraestrutura destinada à instalação dos sistemas na planta, com a tubulação originando-se da Sala de Controle Predial e chegando a todos os elementos de Elétrica, Hidráulica e de Ar condicionado que deverão ser controlados. Deve chegar também a instrumentos de campo utilizados por este sistema;
  • Diagrama vertical mostrando o sistema de automação;
  • Reuniões com o pessoal de projetos elétricos, hidráulicos e de ar condicionado, visando garantir que os elementos destes projetos, como quadros elétricos, já venham preparados para suportar a automação projetada.
  • Lista de pontos de supervisão e controle definida para o sistema predial;
  • Lista detalhada de escopo do fornecimento para o sistema;
  • Especificações Funcionais, Técnicas e de Contratação.

Segurança Patrimonial

Os sistemas que incorporam a denominada Segurança Patrimonial são em número de quatro, com variações sobre o mesmo tema: Controle de Acesso de pessoas e veículos, Circuito Fechado de Televisão, Sistemas de Detecção e de Suporte ao Combate a Incêndios e Sonorização de Segurança, conhecido na área industrial como Public Adress.

A lista de funções que define estas funções é mais específica que a de automação, e pode ser vista a seguir.

Implantação

  • Sistema de Iluminação de Áreas Externas;
  • Sistema de Segurança Perimetral;
  • Sistema de Segurança Externa contra Intrusão;
  • Sistema de Circuito Fechado de Televisão – CFTV;
  • Sistema de Controle Integrado de Acesso de Usuários, Funcionários, Visitantes;
  • Sistema de Controle de Acesso de Veículos;
  • Sistema de Sonorização.

Gerais para a Planta

  • Sistema de Detecção, Alarme e Apoio ao Combate de Incêndio;
  • Sistema de Circuito Fechado de Televisão – CFTV;
  • Sistema de Sonorização;
  • Sistema de Controle Integrado de Acesso de Usuários, Funcionários e Visitantes;

E o modo de fazer o projeto é bastante semelhante ao de Automação, com a elaboração de um check list para análise conjunta com os responsáveis pelo projeto da planta. Aqui porém, entram aspectos estratégicos, que requerem um preparo especial na definição da segurança de uma planta. Estes aspectos irão definir os projetos, essencialmente de controle de acesso e de CFTV, tanto do ponto de vista de áreas a serem controladas seja por acesso seja por imagem, e também a tecnologia a ser utilizada nestes sistemas. Não se trata simplesmente de distribuir equipamentos em locais onde supostamente haja esta necessidade, que é o que fazem projetistas que não têm a especialização na área. O que tem que ser feito é um mergulho profundo na planta, começando por suas funções como fábrica, avaliando seu entorno como por exemplo áreas vizinhas que possam ser perigosas por serem descampadas, habitadas por comunidades a serem consideradas para efeitos de bloqueios etc. Se a planta está em um terreno que a envolve, ou se está em área urbana ladeada por outros prédios, se a distância entre o perímetro do terreno e o perímetro do prédio é grande ou pequena; quais os acessos externos, tanto para veículos como para pedestres. Quais as portas projetadas para o prédio em si, que função tem cada uma, se a planta está em um ou em mais blocos, quais as conexões entre eles, qual o nível de segurança pensado pelos planejadores da fábrica? Deve ser feito um estudo detalhado de todas as salas e divisões internas, avaliando as restrições de acesso e o nível de controle a ser aplicado a cada uma, desde zero, ou sem controle, ao nível máximo de restrição. A definição dos níveis de acesso pode ser visto a seguir.

  • Nível 0 – somente sensoreamento ou seja, saber se uma porta abriu, se um vidro foi quebrado etc;
  • Nível 1 – Bloqueio de portas somente pela Central, usados por exemplo para portas externas, que abrem e fecham durante o dia e permanecem bloqueadas à noite;
  • Nível 2 – Entrada para usuário autorizado com Leitora de Cartão e com saída livre por botão;
  • Nível 3 – Entrada para usuário autorizado com entrada e saída controlada por Leitora de Cartão;
  • Nível 4 – Entrada em área de alta segurança para usuário autorizado com entrada e saída controlada biométrica.

Podemos criar mais níveis, o que é feito para áreas de maior segurança como Salas Cofre, CPD’s etc. Neste caso, pode ser implementado o controle biométrico simultâneo para duas pessoas, na entrada e na saída.

O check list de segurança deve conter esta análise, tanto a estratégica como a de níveis de acesso, de modo que tudo isto possa ser discutido com o pessoal da empresa e ajustado à sua visão e cultura operacional. Em casos que envolvam organizações de maior porte, sejam nacionais ou multinacionais, pode acontecer que já existam normas ou premissas que orientam estas disciplinas. Nestes casos, o trabalho deve ser efetuado levando também em conta estas condições.

O sistema de detecção de incêndio deve ser elaborado atendendo estritamente às normas que controlam este projeto, que são a NBR-9441 no Brasil e nos Estados Unidos, a NFPA 72. Sempre, em suas últimas versões e usando as normas associadas para casos e situações especiais.

O sistema de sonorização ou public adress deve cobrir todas as áreas onde haverá a possibilidade de presença humana, de modo que os avisos sempre cheguem a todos os funcionários. Deve ser prevista também uma setorização, para que mensagens específicas possam ser direcionadas de forma correta, somente onde necessário.

A avaliação do check list de segurança gera então ações similares ao do sistema de automação, como pode ser visto a seguir.

  • Diagrama em blocos do sistema de segurança, mostrando a sala correspondente, e os sistemas envolvidos;
  • Desenho da infraestrutura destinada à instalação dos sistemas na planta, com a tubulação originando-se da Sala de Controle de Segurança e chegando a todos os elementos de Controle de Acesso, CFTV, Detecção de Incêndio e Sonorização;
  • Diagrama vertical mostrando os sistemas de segurança;
  • Reuniões com o pessoal de segurança, visando garantir que os elementos destes projetos, já localizados, efetivamente atenderão a todas as premissas estabelecidas;
  • Lista de equipamentos e instrumentos dos sistemas de segurança;
  • Lista detalhada de escopo do fornecimento para o sistema;
  • Especificações Funcionais, Técnicas e de Contratação.
  • Sistemas Integrados de Automação e Segurança.

A pergunta que sempre ocorre quando abordamos a necessidade da integração de sistemas de automação e de segurança é: “Por que integrar, ou para que é que serve esta integração? Sempre compramos estes sistemas separados, independentes, porque agora isto, que vai certamente acarretar custos adicionais!”.

Pois é. Mas hoje, sistemas integrados de automação e segurança são concebidos e implementados agregando as funções correspondentes.omplo, a detecção confirmada de fumaça, indicativa de fogo, desliga localizadamente o ar condicionado do ambiente afetado, evitando alimentar o possível fogo com mais oxigênio. Outras ações que ocorrem e que são importantes neste contexto:

  • Detecção de fumaça confirmada, atuando no desligamento do ar condicionado (Ventiladores, Exaustores, Fancoils etc) e da alimentação elétrica primeiramente do local afetado e na sequência, dos demais setores da planta;
  • Interação Sistema de Incêndio e Elevadores;
  • Interação com o sistema de controle de a todas as portas da planta onde estiver ocorrendo o evento e, na sequência, do restante do empreendimento;
  • Acionamento dos dampers corta fogo, responsáveis pelo fechamento dos mesmos para inibir a propagação de chamas e fumaça;
  • Acionamento da pressurização das escadas;
  • Interface com o sistema de ar condicionado para os procedimentos de extração de fumaça.

Durante o detalhamento funcional do projeto, podem ser definidas outras ações, inclusive envolvendo o processo produtivo propriamente dito, onde situações de risco possam ser seguidas de ações preventivas referentes à segurança humana e patrimonial. Por exemplo, vazamento de determinados tipos de gases podem reverter insufladores de ar em exaustores, ou podem agir na liberação de portas etc. Como se vê, integrar sistemas diferentes não é tão inútil assim, pelo contrário. E é o que está sendo feito em vários tipos de prédios, então, porque não nas plantas industriais? voz, dados e imagem.

O Cabeamento Estruturado para informática e telefonia

A telefonia mudou. Aquela que conhecíamos há 20 anos, com os parzinhos de cabos CI chegando a placas de madeira equipadas com bornes, sendo enrolados nos mesmos e encaminhados par a par para cada telefone, ou ramal, hoje é conceito ultrapassado.

A informática também mudou. Usar o termo Telemática hoje, aquela fantástica conjugação de telecomunicações e informática que foi moderna há uns quinze anos, pode gerar a seguinte pergunta: quantos anos você tem de formado?

Há 12 anos, quando fui apresentado ao cabo UTP (unshielded twisted pair) Categoria 5E, e me foi dito que com aquele cabo de cobre, par trançado e não blindado, seria possível implementar redes de dados a 100 Mbps, achei que estavam brincando comigo. Lembrei-me das redes industriais com cabo coaxial, blindado, com limite em 10 Mbps. Lembrei-me também que acima disto, a implementação somente era possível com cabos em fibra.

Mas era verdade. Passava mesmo 100 Mbps naqueles cabos, e funcionava direitinho. E a coisa não parou por aí. Hoje já estamos na Categoria 6, 1 Gbps, 6A a 10 Gbps (é o Cat 6 blindado, e já há versões do 6A não blindado), Categoria 7 com 40 Gbps e 7A com 100 Gbps. Tudo funcionando. Ou seja, o mundo hoje é outro, muito diferente.

O que de fato determinou a convergência do mundo da telefonia com o da informática foi de fato, o aparecimento do cabo UTP, com a possibilidade de usar a mesma mídia tanto para telefones como para computadores. Há também a considerar o fato de que a partir de um certo momento, com o advento dos microcomputadores a preços acessíveis, e com a sua multiplicação em progressão mais do que geométrica, com até centenas de equipamentos instalados em áreas físicas restritas (por exemplo, 200 máquinas em uma área de 1.000 m2), os conceitos de projeto de instalação para estes equipamentos tiveram que mudar drasticamente. Melhor que isto, tiveram que ser criadas normas e metodologia própria para que as redes de dados e voz, bem como a alimentação elétrica, chegassem às centenas de mesas equipadas com um ou dois computadores, um ou dois telefones etc.

Está aí então o conceito de cabeamento estruturado: atender com redes certificadas instalações de voz e dados a uma enorme quantidade de equipamentos, de forma organizada, configurável e reconfigurável e sobretudo, com a confiabilidade necessária.

Um dos itens da norma que regula a área, EIA/TI 569B, que tem que ser obrigatoriamente atendido para que as redes atendam às velocidades especificadas e possam consequentemente serem certificadas, é a distância de 90 metros de conector a conector, em se tratando de cabo UTP (até a Categoria 6, pois acima desta categoria existem outras regras). O projeto é implementado a partir de uma sala principal de telecomunicações, denominada MTR, que se liga a várias salas intermediárias de Telecom, estas denominadas ITR’s. A interligação entre o MTR e os ITR’s é denominado Cabeamento Vertical, e o conjunto de cabos que implementa este cabeamento é chamado de Backbone Vertical. É composto hoje de pares de fibra ótica, seja para a rede de dados seja para a de voz.

O que determina a quantidade de ITR’s é então a famosa distância de 90 metros. Esta sala costuma ser alocada em pontos do prédio que centralizem um conjunto de pontos de ligação de computadores e de telefones de modo que o ponto mais distante, levando em conta o trajeto do cabo como um todo, não ultrapasse a distância citada. Então, o planejamento destas salas é uma das atividades iniciais de projeto, pois vai interferir diretamente com o projeto de arquitetura, e de vez em quando, causa um estresse danado, pois disponibilizar áreas para tecnologia é uma das coisas que dói muito para os arquitetos. Áreas de lazer, jardins, repouso, tudo bem. Mas áreas para telecomunicações? Para que tantas salas?

Considerações a parte, o objetivo desta explanação é mostrar a importância dos projetos descritos neste artigo, e a necessidade real de não sejam considerados somente complementares, mas que sejam iniciados juntamente com os demais projetos prediais das plantas. Achar um monte de salas depois que a arquitetura está estabilizada é muito mais difícil que quando o projeto está em seu início. E desenhar a infraestrutura, que é pesada, depois que todos os espaços estão ocupados pelas demais disciplinas, torna a compatibilização dos projetos muito mais complicada.

É importante entender que o projeto do cabeamento estruturado passivo deve ser elaborado de forma que sobre o mesmo, possam ser montados os sistemas de ativos, que efetivamente vão fazer a planta funcionar em todos os seus níveis. Então, o atendimento às normas, a certificação que garante o uso de produtos aprovados, e a garantia envolvida (entre 20 e 25 anos para estes produtos) é o que garante que servidores, switches, centrais telefônicas etc vão se comunicar e operar nas condições de projeto, com as velocidades e disponibilidade necessárias.A convergência para segurança e automação.

Como já mencionado, os sistemas de segurança também evoluíram O CFTV hoje é denominado CFTV IP, e é implementado em forma de rede de dados, com cada câmera sendo dotada de um endereço IP e com o gerenciamento desta rede sendo efetuada por um Servidor de Imagem dotado de um software de gerenciamento de CFTV. Ou seja, uma rede de dados em tudo semelhante às redes de computadores, sem tirar nem por. De modo que hoje, o projeto de infraestrutura para CFTV é efetuado junto com o de cabeamento estruturado, e não mais com o de automação e segurança. Distribuem-se as câmeras de acordo com os conceitos estratégicos estabelecidos, e levam-se a elas pontos de dados, como se faz com computadores.

Aplicam-se os mesmos princípios e normas do cabeamento estruturado, chegando cabos UTP aos ITR’s (cabeamento horizontal), concentrando câmeras em switches, e levando estes switches a outros localizados nas salas de segurança via cabo ótico (backbone vertical). Faz-se o mesmo com o controle de acesso, e também com os sistemas de sonorização, usando-se módulos com entrada IP (em rede) e saída em áudio, que alimentam os amplificadores, que por sua vez acionam as redes de sonofletores nos setores definidos em projeto. Em prédios, já começa a ser usada a TV IP. Que tal?

Conclusão

Existem várias expressões para esta evolução toda: Brave New World, Aldeia Global etc. Todas se aplicam, e muito bem, porque o que está ocorrendo na área de instalações prediais, que envolvem a automação de utilidades, a segurança e as telecomunicações é uma alteração de tal monta, em com tal velocidade, que aquilo que se projeta hoje, para plantas que vão ficar prontas em um ano a um ano e meio, podem ter que sofrer ajustes lá na frente. Mesmo que na hora do projeto se empregue tudo que se sabe de soluções as mais modernas possíveis.

Para este artigo, então, é simples: não dá mais para fazer estes projetos de qualquer jeito, com empresas não especializadas, chegando-se a soluções que com certeza, não irão atender nem agora e nem no futuro. Devem começar no início do projeto da parte predial e não depois. Devem partir sempre dos conceitos mais modernos existentes, e para isto é necessário empresas da área e principalmente, atualizadas. E empresas de projeto.

Ocorre, na pratica, um enorme equivoco na indústria de que projetos de segurança, julgando que os mesmos podem ser executados pelos fornecedores de equipamentos, o que dá ensejo a soluções na maioria das vezes de péssima qualidade pois são voltadas para as linhas de produtos destes fornecedores e não às necessidades efetivas do empreendimento, que devem ser levantadas por empresas de projeto, usando métodos adequados, como os descritos nestes artigos.

Enfim, as plantas industriais e os seus ocupantes podem, devem e merecem que suas instalações sejam equipadas com o que há de melhor em tecnologia, concebidas a partir das boas técnicas de engenharia conforme os contextos descritos neste artigo. E isto é possível, sem nenhuma dúvida, desde que os procedimentos de projeto, tanto em plantas novas como em retrofits, sejam seguidos de forma correta.

Os resultados certamente serão surpreendentes, e o que é mais interessante, os custos envolvidos serão com certeza equivalentes aos resultantes de soluções mal projetadas e executadas.

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